numerozero |
31.7.08
gestos obcenos pra madame de terno preto, de metal, marca européia. motores e buzinas. é tudo muito recorrente. como o cimento que corre, derretido, sob meus pés. como o asfalto levado pelo vento no céu. se pudesse, falaria mais. se não pudesse, falaria menos.
a vida é um recorte de acontecimentos bizarros. isso pode ser coisa dos últimos anos. mas ainda vivi pouco para saber dos eventos cíclicos. a dúvida é um fio de cabelo cortado por uma navalha. devemos estar fadados às tentativas. o massacre diário. a fadiga. a fumaça no nariz. o sangue nos olhos. o resto dos restos dos restos. 30.7.08
Ainda dentro da fase de deslumbramento: livre tradução de “Man-Sized Wreath”:
O homem do tamanho de sua coroa de flores Zapeando a TV imagine o que eu consigo ver? Um pastor de gestos vazios apontando pra mim – wow! Pensei que já estivéssemos prontos para ir adiante Mas um hino de ternura tocou meu coração Ao ver o homem do tamanho de sua coroa de flores - ow! Lança-o no fogo Lança-o no ar Danço pulando porque ninguém mais vai se importar como você se importa, oh De tantas formas Ramos ao vento, ladrões de esmola, punhos no ar O ruído de um motor avisa para que as pessoas tomem cuidado – wow! A natureza aterra ao vácuo, mas existe algo entre as tuas orelhas? Sua consciência nebulosa com pensamentos assustadores Um pequena luz e um animal – wow! Lança-o no fogo Lança-o no ar Danço pulando porque ninguém mais vai se importar como você se importa, oh Veja o que achei Todos olham ao redor Todo mundo vê da mesma forma e não se importa De alguma forma E não errei ao falar de pompas e preconceitos As meu coração ouve uma bela melodia Ao ver o homem do tamanho de sua coroa de flores - ow! Lança-o no fogo Lança-o no ar Danço pulando porque ninguém mais vai se importar como você se importa, oh Veja o que achei Todo mundo vê da mesma forma e não se importa De alguma forma Dê-me as flores
::::::: até que tudo esteja pronto ::::
o disco novo do r.e.m. é algo de impressionante. o vigor da banda após mais de duas décadas é fabuloso. não canso de ver trechos de shows no youtube. stipe está em grande forma. há sinergia entre os músicos. há melodias, linhas de baixo, riffs de guitarra marcantes. as letras soam como se o tempo não cobrasse preço algum de um grupo calejado pela poeira do asfalto das highways e pela dureza das nuvens sobre o atlântico. não lembro de um dylan ou stones que mantiveram a verve e a pegada durante tanto tempo. é como se fosse a mais jovem das bandas. não botava fé no álbum e estou assustado com a qualidade dele. notícias dão conta de que a banda pode vir ao brazil ainda esse ano. talvez prefiro me animar. talvez. são profetas do acaso. fiz uma cópia do disco para servir de trilha sonora na minha viagem de uma hora até o trabalho. fecho os vidros e a metrópole, e as pessoas, e o cimento, e as árvores são como um grande videoclipe. sinto como se tivesse nos primeiros anos da segunda metade dos 90s. de novo. como trechos do 'jovens, loucos e rebeldes'. acho que me transformo aos poucos. começo a achar que isso é inerente a tudo que sou. clichês de seixas ou bowie. parabéns ao homem buraco! 29.7.08
É inverno, mas as folhas caem ao sopro do vento. O barulho da cidade abafa até o som dos pensamentos que dizem que há muita gente perdida devagar pelas ruas. A história é contada, não pelos vencedores, e sim por quem ainda tem voz – pois as cordas atrofiam de tanto silêncio e se rasgam entre tantos gritos. Em Roma vejo a maioria esmagada solitária. Agora, outra metrópole latina está em construção. Não quero que prédios erguidos com meus ossos, carne, sangue.
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