numerozero


22.5.07
/////// o pensamento parece uma coisa à toa

amanheceu mais frio que o normal (a frase não é essa. o correto seria: amanheceu menos quente que o normal. mas enfim...). nada que uma camisa de flanela rala não dê conta. abri a janela - fechei os olhos e imaginei que estava 1000km mais ao sul. em outras torres, talvez.

aqueci a água. a chaleira porque aqui não chia. a água ferveu. queimei o café. respirei a fumaça e imaginei-me sob uma figueira num descampado tomando mate para driblar o frio. encolhi os ombros imaginando como seria ter o "vento que corta" fazendo a grama baixa e rala curvar-se as suas ordens.

no elevador, reconheci meu rosto. inclusive as novas marcas. o problema recente no olho direito que me deixa sem sono. como, quando jovem demais, impressionava-me com o barulho que a geada faz ao quebrar no toque rápido de um pé de guri.

entrei no carro e sujando o pára-brisa a garoa que não molha.

coloquei um cd de milongas no rádio do carro. a cada sinal fechado (e não são poucos por todo percurso), cerrava os olhos e via uma gigante roda colorida / uma nuvem de talco / o som estridente da gaita. sentia o lamento triste das pedras de calçadas percorridas pelo minuano.

ao meio-dia - tentei as comidas exóticas de cá: as carnes-de-sol, as bisteKas, os virados e os outros. a confusão superpopulosa irritou minha paciência de quem não tem porque esperar por esse tipo de coisa. ancestralidade dos que caçam, retiram e assam carne e curtem o couro (tudo ao mesmo tempo). lembrei-me do xis. a incógnita matemática incorporada ao imagináriossul. pedi um e na primeira mordida veio o gosto intragável do desleixo. fechei os olhos para mordê-lo pela segunda vez e imaginei que estava no bar próximo a redenção; na terceira vez pensei que estava no outro bar próximo a perimetral e cidade baixa. segui nessa toada.