numerozero |
30.9.06
::::::::::::::: texto extraído do site DUCKER ////
Libertadores A Libertadores da América foi castrada. Teve sua masculinidade arrancada pelos defensores de "Lei Peles", pelos "Galvões", "Falcões", "Arnaldos" e por aqueles que esperam o fim da novela para ver o futebol. A Libertadores virou um enlatado de fácil digestão pelos estômagos fracos e pelos fãs de "pedaladas" e "amigos da Rede Globo". De animal feroz, a Libertadores se transformou em um bichinho mimoso e colorido, tão inofensiva quanto "Malhação" ou a "Sessão da Tarde". Nem o adolescente rebelde Ferris Bueller, o maior astro da "Sessão da Tarde", foi tão enquadrado. Que saudade das antigas Libertadores. Quando a Rede Globo ainda não tinha transformado "La Copa" nesse programa de freiras. Que saudade dos estádios argentinos lotados, dos "Calderones del Diablo", de La Plata e de Avellaneda. Que saudade do Centenário enfumaçado, gelado e enlameado. De Victorino e De Leon, de Morena e Spencer. Qualquer time que hoje tivesse Billardo, Dinho ou Simeone seria preso em campo. Aliás, na Libertadores se chegou ao cúmulo de se prender um jogador em campo, porque ele não foi "politicamente correto", o tal caso Grafite/Desabato. É tão rídiculo que não é nem engraçado. É triste. Vivemos numa era de pagodeiros, funkeiros, pseudo-surfistas de correntes de ouro e brincos de diamante que de malandros não tem nada. São um bando de frouxos, de codornas com pernas de cristal, e escravos de empresários vigaristas, desesperados por um contrato na Europa, para depois reclamar do frio, da "violência" européia e voltar correndo para o Brasil, e assim ganharem porcentagens nas duas transações. Comemoram gols beijando a aliança da maria-chuteira que fisgaram eles, e depois dos jogos vão aos melhores prostíbulos da cidade, ou as piores quadras de escola de samba. Ou imitam os gestos ridículos do Ronaldo de Assis Moreira, que nem ele, nem seus colegas sabem o que significa. Atacantes como Burrochaga, Fernando Morena, Victorino, Enzo Francescoli ou Renato Portaluppi, o pai de todos os malandros, que não era bunda-mole nem fugia do pau, hoje estariam relegados em nomes dos "Robinhos", "Sobinhos" e outros "inhos" de luzes nos cabelos, adorados pelos fãs do "Bem Amigos". Saudosos tempos em que a Libertadores era uma guerra. Os platinos consideravam perder para um brasileiro, que para eles não tinha nenhum Libertador da América, nenhum San Martin, nenhum Artigas, uma deLibsonra, una verguenza. Não tinha "jogo", tinha uma luta campal pela bola. E não precisava muito para os carrinhos, cotoveladas, socos, pedras, pedaços de pau e garrafas começarem a voar. Era preciso ser mais que jogador, era preciso ser homem. A fumaça invadia o campo, o frio gelava até os ossos, os alambrados balançavam, os juízes davam cartão até antes de começar o jogo, e não ganhava o melhor. Ganhava o mais forte. Hoje, a Libertadores virou um espetáculo midiático, tão insosso quando a novela das 6. Até o Once Caldas e o Inter, ou a Inter, já ganharam o enlatado. Mas eles nunca terão a glória. A glória de ter travado batalhas em campo, de ter erguido a taça, não com papel laminado voando em volta, mas com sangue escorrendo pela testa. A taça alguns tem, a glória, poucos. Pouquíssimos. Autor Desconhecido ducker.com.br ::::::::::::::: texto extraído do site DUCKER //// Libertadores A Libertadores da América foi castrada. Teve sua masculinidade arrancada pelos defensores de ¿Lei Peles¿, pelos ¿Galvões¿, ¿Falcões¿, ¿Arnaldos¿ e por aqueles que esperam o fim da novela para ver o futebol. A Libertadores virou um enlatado de fácil digestão pelos estômagos fracos e pelos fãs de ¿pedaladas¿ e ¿amigos da Rede Globo¿. De animal feroz, a Libertadores se transformou em um bichinho mimoso e colorido, tão inofensiva quanto ¿Malhação¿ ou a ¿Sessão da Tarde¿. Nem o adolescente rebelde Ferris Bueller, o maior astro da ¿Sessão da Tarde¿, foi tão enquadrado. Que saudade das antigas Libertadores. Quando a Rede Globo ainda não tinha transformado ¿La Copa¿ nesse programa de freiras. Que saudade dos estádios argentinos lotados, dos ¿Calderones del Diablo¿, de La Plata e de Avellaneda. Que saudade do Centenário enfumaçado, gelado e enlameado. De Victorino e De Leon, de Morena e Spencer. Qualquer time que hoje tivesse Billardo, Dinho ou Simeone seria preso em campo. Aliás, na Libertadores se chegou ao cúmulo de se prender um jogador em campo, porque ele não foi ¿politicamente correto¿, o tal caso Grafite/Desabato. É tão rídiculo que não é nem engraçado. É triste. Vivemos numa era de pagodeiros, funkeiros, pseudo-surfistas de correntes de ouro e brincos de diamante que de malandros não tem nada. São um bando de frouxos, de codornas com pernas de cristal, e escravos de empresários vigaristas, desesperados por um contrato na Europa, para depois reclamar do frio, da ¿violência¿ européia e voltar correndo para o Brasil, e assim ganharem porcentagens nas duas transações. Comemoram gols beijando a aliança da maria-chuteira que fisgaram eles, e depois dos jogos vão aos melhores prostíbulos da cidade, ou as piores quadras de escola de samba. Ou imitam os gestos ridículos do Ronaldo de Assis Moreira, que nem ele, nem seus colegas sabem o que significa. Atacantes como Burrochaga, Fernando Morena, Victorino, Enzo Francescoli ou Renato Portaluppi, o pai de todos os malandros, que não era bunda-mole nem fugia do pau, hoje estariam relegados em nomes dos ¿Robinhos¿, ¿Sobinhos¿ e outros ¿inhos¿ de luzes nos cabelos, adorados pelos fãs do ¿Bem Amigos¿. Saudosos tempos em que a Libertadores era uma guerra. Os platinos consideravam perder para um brasileiro, que para eles não tinha nenhum Libertador da América, nenhum San Martin, nenhum Artigas, uma deLibsonra, una verguenza. Não tinha ¿jogo¿, tinha uma luta campal pela bola. E não precisava muito para os carrinhos, cotoveladas, socos, pedras, pedaços de pau e garrafas começarem a voar. Era preciso ser mais que jogador, era preciso ser homem. A fumaça invadia o campo, o frio gelava até os ossos, os alambrados balançavam, os juízes davam cartão até antes de começar o jogo, e não ganhava o melhor. Ganhava o mais forte. Hoje, a Libertadores virou um espetáculo midiático, tão insosso quando a novela das 6. Até o Once Caldas e o Inter, ou a Inter, já ganharam o enlatado. Mas eles nunca terão a glória. A glória de ter travado batalhas em campo, de ter erguido a taça, não com papel laminado voando em volta, mas com sangue escorrendo pela testa. A taça alguns tem, a glória, poucos. Pouquíssimos. Autor Desconhecido ducker.com.br 29.9.06
era para ser cheio de links, cortes, dedos, parafusos e caminhos. o que antes não era fumaça tornou-se. chuva grossa xingando velhas mancas em calçadas. homens-gasolina descendem de pássaros, homens-obras descendem de pássaros. emitindo sons buscam a dança do acasalamento com a mulher jeans, que também é pássaro / só que de outra espécie.
colocaram uma couve-flor na janela atrás de minha mesa. colocaram uma couve flor na janela. ela olha a poluição e jorra sangue de gasosa fria entre as folhas, caule e terra. ouve as torres e as asas ras-g-antes das bicicletas a jato que param incólumes bêbadas apoiam-se em vendas irreais/irrealizáveis. nada aqui. nada ali. nem salvador, nem em. dois dias de lutas e deuses pela frente esperam para nos golpear pelas costas. é uma parede que cai. é um tinta cálida que sobe e se espalha por mais noventa metros a caminho da felicidade absurda dos sons perdidos nos finais dos dias e dos começos das manhãs. não sinto mais sei - o sofrimento de agora e todas as dores de cabeça e dificuldade para respirar trarão futuras incontáveis alegrias. frase de um sábio pagão. 28.9.06
When I'm Sixty-four
When I get older losing my hair, Many years from now. Will you still be sending me a Valentine Birthday greetings bottle of wine. If I¿d been out till quarter to three Would you lock the door. Will you still need me, will you still feed me, When I¿m sixty-four. You¿ll be older too, And if you say the word, I could stay with you. I could be handy, mending a fuse When your lights have gone. You can knit a sweater by the fireside Sunday morning go for a ride. Doing the garden, digging the weeds, Who could ask for more. Will you still need me, will you still feed me, When I¿m sixty-four. Every summer we can rent a cottage, In the Isle of Wright, if it¿s not too dear We shall scrimp and save Grandchildren on your knee Vera Chuck & Dave Send me a postcard, drop me a line, Stating point of view Indicate precisely what you mean to say Yours sincerely, wasting away Give me your answer, fill in a form Mine for evermore. Will you still need me, will you still feed me When I¿m sixty-four. 26.9.06
::::::::::: conjunção adjetiva e a volta do ex-trago-istmo
a decadência sorri sem dentes. podres e pretos, rosas de galhos quebrados vestindo soluções e milagres. dinheiro azedo na boca de um bueiro. bolas e luas e mundos imundos em paredes vermelhas. regras são régis roubando bois em potreiros com caminhão branco. os fios de nylon ainda não atravessaram a carne. estou pre-ocupado em abrir as feridas e não afogar-me num mar de perfume, vozes finas e bosta. 12.9.06
genial o poeta concretista argentino que disse que a felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor.
11.9.06
Primer Manifiesto Nadaísta 1958 Apartes
[Bogotá, 1958] I. El Nadaísmo es un estado del espíritu revolucionario, y excede toda clase de previsiones y posibilidades. II. Se ha considerado a veces al artista como un símbolo que fluctúa entre la santidad o la locura. Queremos reivindicarlo diciendo de él que es un hombre, un simple hombre, que nada lo separa de la condición humana común a los demás seres humanos. Y que sólo se distingue de otros por virtud de su oficio y de los elementos específicos con que hace su destino. El artista es un ser privilegiado con ciertas dotes excepcionales y misteriosas con que lo dotó la naturaleza. En él hay satanismo, fuerzas extrañas de la biología, y esfuerzos conscientes de creación mediante intuiciones emocionales o experiencias de la historia del pensamiento. Su destino es una simple elección o vocación, bien irracional, o condicionada por un determinismo bio-psíquico-consciente, que recae sobre l mundo si es político; sobre la locura si es poeta; o sobre la trascendencia si es místico. III. Trataré de definir la poesía como toda acción del espíritu completamente gratuita y desinteresada de presupuestos éticos, políticos o racionales que se formulan los hombres como programas de felicidad y de justicia. Este ejercicio del espíritu creador originado en las potencias sensibles, lo limito al campo de una subjetividad pura, inútil, al acto solitario del Ser. El ejercicio poético carece de función social o moralizadora. Es un acto que se agota en sí mismo, el más inútil del espíritu creador. Jean-Paul Sartre lo definió como la elección del fracaso. La poesía es, en esencia, una aspiración de belleza solitaria. El más corruptor vicio onanista del espíritu moderno. VI. Rectificamos el viejo concepto americanista de que un pueblo es joven en virtud de sus paisajes. Lo es en razón de sus ideas y de su evolución espiritual. La decrepitud no es un concepto de la vejez del mundo físico, sino la caducidad del espíritu resignado, incapaz de evolucionar hacia nuevas formas de vida y de cultura. América es vieja desde su nacimiento. Por culpa de sus descubridores y su herencia, su nacimiento significó para la Historia una especie de muerte. O más exactamente, un aborto imperfecto para la vida. En tal forma que ella no ha nacido culturalmente por su cuenta, nutriéndose como se nutre de una vejez cansada y esterilizante transmitida por el cordón umbilical de su idioma y de sus creencias. Ante el dilema de ser o de no ser, de elegir una cultura por separada con sentido universal, ¿qué significa para la cultura de América tallar sapos, revivir mitos, incrementar las supersticiones, retener el tiempo olvidado, la prehistoria, si aún no cuenta ni determina nada su cultura en el devenir de las ideas contemporáneas? Detenerse en el pasado con un asombro contemplativo, evidencia el complejo de América ante un mundo evolucionado que decide su destino y su supervivencia histórica y biológica, mediante las actuales revoluciones sociales y conquistas científicas del espacio que se disputan el predomino político de la Tierra. América no puede anclarse en lo regional, en lo folclórico, en la tradición mítica. Eso sería un aspecto de su desarrollo intelectual y artístico pero no puede decidir su destino y su historia sobre estas formas inferiores de su desarrollo. América debe superar el complejo de su infantilismo espiritual. De otra manera nos quedaríamos en la Edad de la Rana y la Laguna, en tanto que la técnica científica ha fijado estrellas en el espacio cósmico. Ningún pueblo, ningún continente viejo o nuevo puede elegir su destino por separado. La más leve onda del mar de la Historia contemporánea agita con su movimiento el porvenir de los pueblos, y decide su suerte o su desgracia. Una cultura solitaria, desvinculada de los intereses universales, es imposible de concebir. Nadie puede evadirse, ni eludir el papel que representa en el mundo moderno. Todo se relaciona de una manera profunda en esta época en que el simple hombre encarna una misión en la historia: su acción o su indiferencia implican una conducta de inmensas responsabilidades éticas, y al aceptarla o negarla, se salva o se condena. Ya no podemos aceptar como sentido moral de la existencia, aquel pensamiento agonista de Kierkegaard: "Sea como sea el mundo, yo me quedo con una naturalidad original que no pienso cambiar en aras del bienestar del mundo". VIII. Hemos renunciado a la esperanza de trascender bajo las promesas de cualquier religión o idealismo filosófico. Para nosotros éste es el mundo y éste es el hombre. Otras hermenéuticas sobre estas verdades evidentes carecen de sentido humano. Las abstracciones y las entelequias sobre el Ser del hombre, caen en el domino de la especulación pura y del simbolismo metafísico, producto natural del anhelo del hombre por trascender su entidad concreta, y fijarla en una forma ideal, más allá de todo límite espacial y temporal. Este anhelo corresponde a su naturaleza idealista y poética que quiere cristalizar la esencia del Ser en lo absoluto, en el eterno. Proponer esa ilusión para después de la muerte es la misión de las religiones. Nosotros creemos que el destino del hombre es terrestre y temporal, se realiza en planos concretos, y sólo un dinamismo creador sobre la materia del mundo da la medida de su misión espiritual, fijando su pensamiento en la historia de la cultura humana. El hombre es lo Absoluto en la medida casual y no necesaria entre el accidente de su principio y de su fin. Este criterio excluye toda posibilidad de trascendencia. El hombre elige sobre sus posibilidades inmediatas esta tierra: la inmanencia. La metafísica es una investigación sobre la muerte y sobre las posibilidades trascendentes de la existencia. O mejor dicho, es una evasión del Ser hacia el mismo Ser que se conoce. Es por eso la creación de un mundo para sí, completamente ajeno al devenir histórico, que es terreno privativo de la política, que significa compartir el mundo con los otros. Por consiguiente, la única "utilidad" de la metafísica es el pensar sobre la muerte, porque el pensar sobre la vida es, precisamente, la política. Por su carácter esencial sobre las ideas irreductibles a la vida, la especulación pura no nos interesa como aspiración de trascendencia. Pues nunca esa imagen del mundo que resulta del ejercicio metafísico conduce a soluciones sociales y terrestres de justicia, perfección o felicidad humana. Por el contrario. su consecuencia es la desesperación y el desorden. XI. La libertad es, en síntesis, un acto que se compromete. No es un sentimiento, ni una idea, ni una pasión. Es un acto vertido en el mundo de la Historia. Es, en esencia, la negación de la soledad. XIII. Destruir un orden es por lo menos tan difícil como crearlo. Ante empresa de tan grandes proporciones, renunciamos a destruir el orden establecido. La aspiración fundamental del Nadaísmo es desacreditar ese orden. Al intentar este movimiento revolucionario, cumplimos esa misión de la vida que se renueva cíclicamente, y que es, en síntesis, luchar por liberar al espíritu de la resignación, y defender de lo inestable la permanencia de ciertas adoraciones. En esta sociedad en que la mentira está convertida en orden, no hay nadie sobre quién triunfar, sino sobre uno mismo. Y luchar contra los otros significa enseñarles a triunfar sobre ellos mismos. La misión es ésta: No dejar una fe intacta, ni un ídolo en su sitio. Todo lo que está consagrado como adorable por el orden imperante será examinado y revisado. Se conservará solamente aquello que esté orientado hacia la revolución, y que fundamente por su consistencia indestructible, los cimientos de la sociedad nueva. Lo demás será removido y destruido. ¿Hasta dónde llegaremos? El fin no importa desde el punto de vista de la lucha. Porque no llegar es también el cumplimiento de un destino. |