numerozero


30.8.06
o céu é indolor.

23.8.06
o que sobrou do resto está na tigela plástica embaixo da mesa. nem os cães encostam seus focinhos lá. nem as moscas.
só. um pedaço de osso. dois pedaços de pelo. latas velhas com restos de cerveja. um saco de papel embrulho pardo que pare um fedor inenarrável.

18.8.06
a carnificina começou cedo e foi punk. foi até a semana seguinte. uma machadada na cabeça do porco e uma punhalada no coração. aço afiado. lamina escorregando macia pele adentro / sangue jorra e tinge de vermelho o verde da grama. gramas. kilos.
espero a noite varrer o calor do dia. a lua por as ruínas do antigo paraíso forrado de pêlos. pelos pentelhos escorrega o punhal. bacia de gelo. estou em casa. estou perto de casa. estou saindo. ficando cada vez mais longe.

17.8.06
só um bob_dylan do ceará conseguiria compor algo como isso:
"pela dor eu descobri o poder da alegria"


15.8.06
bêbado. com a cabeça explodindo de idéias. a máquina demora pra ligar. quando liga, o vento levou as idéias embora. embora. mas sobra um pouco para encher meia centena de páginas rapidinho. rapidão.

14.8.06
amputaram minha alma. eu mesmo amputei. com pregos, desejos corda e sacos plásticos.

10.8.06
tempos atrás:

¿Na hora da visualização eu lembrei de mim correndo e as estrelas correndo atrás, porque quando ando de noite imagino que o céu todo está andando comigo¿

2.8.06
não ausência de nada melhor, silêncio e músicas ruins.