numerozero |
28.4.06
o caminhão mais detonado de sãopaulo tem placa de canoas. vi hoje. na marginal. o motorista deve ser de canoas também. dá pra perceber. pelo jeito como dirige. sem as manhas. cortando todo mundo. atrapalhando o trânsito. sendo ofendido o tempo inteiro.
resumindo a ópera: um autêntico filha da puta (n. e.:de marca maior). mesmo que a placa do caminhão não fosse de canoas - mas era. daria pra sacar a origem do pinta. baita maneta. uma foice nas ruas. como todos que dirigem naquela cidade. 26.4.06
hoje nada. só a vontade de um peixe. liso. rápido. complexo. estranho. corta uma árvore em minha homenagem pra me lembrar que não vivemos mais em árvores.
25.4.06
::::::::: pas de title
sou uma máquina em curto-circuíto. um animal doente a beira de um colapso nervoso. então, preciso de ar. de uma válvula de escape que me possibilite o mínimo que conforto necessário para segurar a onda e cair fora pra-já dessa fase estranha. talvez seja a dança dos ciclos. ciclo de vida, espirais do tempo, sei lá. na casa de cultura m. quintana no meio da última década do milênio passado assisti um filme do sr. carlossaura chamado "goya" (vocês devem saber de quem se trata). um velho dá uma baforada no vidro da janela. o calor de seu hálito embaça a superfície fria e lisa. ele desenha círculos no vidro embaçado e profere uma coisa que fez minhas primaveras até então ficarem mais confusas e doce e violentas. o que ele disse? - a vida é um espiral. foi o que ele disse. então o sofrimento não é budista nem católico nem ateu. procuro o retorno a minha pobre essência de cordão umbilical sujo de sangue coagulado. poderia escrever sobre essa dor durante horas. mas ninguém leria ou compreenderia as horas de dor pela qual passo lento. me arrastando. triste como um caramujo que escolheu uma lata de coca-cola como casa. 24.4.06
sorrisos e papos furados me comovem a exaustão. não sei o que me impressiona mais; se a amargura doce da cafajestice burguesa ou a doçura apodrecida da massa miserável.
finalmente, a cidade começa a mostrar seus dentes podres com mais glamour. e agora volto a sentir o prazer dos passeios pelos lados selvagens da vida, das tardes & dos finais de semana. até que enfim, conheci a cracolândia. ou um pedaço dela. ou, o que acredito ser mais preciso, o pedaço mais clean-organizado-feito/especialmente/pra/turista. minha curiosidade sobre aquela região vem de longe. desde meados dos 90´s queria dar um belo rolé pelos locais mais sujos e cult. jazzista tropegos penhoram seus trompetes e baquetas. as imagens de glória permanecem em minha retina, os ruídos de prazer colados em meus tímpanos como música pop ruim. - o boca é um canalha. disse a negra para outra negra que andava atrás de mim na calçada. silêncio de confirmação e cara de perplexidade da que passiva interlocutora. - ... quando tem pedra não dá pra gente. quando tem dinheiro não paga um hotel. ex-braveja & continua. porissoqueeucontinuonasruas! porissoqueeucontinuonaesquina. - baita fiadaputa. o boca é um canalha. e teve também a cena de um junk velho de joelhos, algemado, com as mãos pra trás e cara escorada na parede. intimado por um pulícia que estava de costas para outro pulícia que devolvia a carteira de um moça visivelmente classe média-baixa. nem se quisesse, nem se estivesse sóbrio de qualquer coisa o velho conseguiria fugir, correr ou o que quer que fosse. gosto de ver seus dentes, cidade. da mesma forma que você gosta de beber minhas lágrimas. a partir daí, o que ficou foi a promessa. 20.4.06
eu grito AIDS. plenos pulmões pretos. meu rosto fica vermelho. esgasgo, tusso, cuspo sangue.
olhos ex buga lhadões. toin, toin, toin. o machado corta minha: nunca. mergulho no mardeverde e ex curidão. 18.4.06
17.4.06
quando eu era inteligente, escrevia textos tristes.
hoje durmo e reclamo do passado & da vida. babando sobre os pés oleosos duma estátueta de cobre oxidado. 13.4.06
Deixei de ver os aviões.
A janela está difícil de abrir. Forço. Emperrada à mofo, arrombo. Vejo um bloco de poluição que preenche pulmões com doença e satisfação. 12.4.06
11.4.06
recorto e colo. aqui.
uma bela idéia. expandir todos sentimentos e alargar todas possibilitades para ter exatemente o que tenho agora. 10.4.06
::: chora macaco imundo.
a imagem da desolação me alegra. na foto abaixo, sob a camisa, um macaco em prantos sofre. a tentativa de esconder a vergonha só torna a cena mais patética. "logo sob esse lixo você se esconde?". o empate tem sabor de goleada. não é todo time que, com a pior campanha, leva o título em dois empates. melhor ainda é ver o sportv dizendo que a macacada é candidata ao título da libertadores. então tá. linkebrado!! eu só quero ganhar lá no chiqueiro! 6.4.06
Automático Veloz se acalmou um pouco depois de perder dois filhos e um dente num jogo de cartas. Talvez fosse pelos tranquilizantes que tomava as centenas junto com um gole pankada de pinga. Ou então por ter se apaixonado seriamente por uma bicha que rodava incansávelmente pelas ruas próximas ao centro elitista das pequenas cidades em ruínas.
5.4.06
3.4.06
::::: algum dia serei estagiário desse maravilhoso veículo de comunicação
//// a matéria genial abaixo foi extraída de suas magnificas páginas ///////// Homem morre de amor 4/3/2006 1:54 PM Antônio Carlos Rodrigues, 30 anos, morreu de amor na noite de sexta-feira, em Navegantes. Apesar dos esforços da polícia Militar em evitar a tragédia, o cara não quis nem saber e meteu um balaço na cabeça, porque sua mulher o abandonou. Foi uma hora e meia de muita negociação e conversa com Antônio, que estava drogado e bêbado, mas o homem estava irredutível. Com medo de que o escorneado atirasse contra alguém, o coordenador da operação, capitão Otávio, tentou desarma-lo mas foi em vão. Tudo começou depois que a mulher de Antônio descobriu que ele tinha pulado a cerca. Indignada, pegou suas coisas e deitou o cabelo. Inconformado com a perda de seu amor, Antônio, que já era chegado nas pedras do capeta, pegou toda a sua grana e comprou uma verdadeira pedreira. Passou a tarde inteira fumando crack. Na hora que as pedras de dêmo começaram a fazer efeito, o cara despirocou e começou a quebrar tudo dentro de casa e a dar tiros. A vizinhança da rua Nino Campos, no bairro São Domingos, ficou apavorada e chamou os meganhas. Quatro batarinhas, mais o carochão do Grupo de Respostas Táticas (GRT) foram até o local pra ver o que tava rolando. Lá encontraram Antônio transtornado e com um revólver calibre 38, falando que iria se matar. Pensando na segurança dos vizinhos curiosos e pra tentar evitar que Antônio se matasse, capitão Otávio mandou duas baratinhas e mais o carochão embora. Se postaram na frente da casa duas carangas da PM e quatro policiais. Os homi decidiram deixar o escorneado falar sozinho, pra ver se ele se cansava. Neste meio tempo, Antônio começou a contar sua história. Debruçado na janela, com a cachorrinha Bolinha nos braços, o cara começou a falar que sua mulher descobriu que ele tinha ficado com outra. "Mas duvido que ela não tenha ficado com outro também". De repente saía da janela e quebrava mais objetos pela casa. Passava mais um tempo, voltava pra janela e pros lamentos. Numas das idas e vindas começou a cantar: "Que beijo doce que ela tem. Depois que beijei ela nunca mais, beijei ninguém", porque esta era a música do casal. A coisa começou a ficar feia, quando do nada Antônio matou Bolinha com um tiro e jogou o animal no quintal. Depois da merda, culpou os policiais pela morte do bichinho. Aí, chorando muito, começou a pedir pros policiais atirarem nele. Cansado de ficar dentro da casa, o escorneado veio até o portão e começou a falar com os policiais, que pediam pra ele baixar a arma. Antônio fez o mesmo trajeto algumas vezes. Na penúltima vez, o capitão deu ordem pra usar bala de borracha e atirar na perna de Antônio quando ele aparecesse no portão. Não demorou muito e o cara voltou pra frente da casa, com a Bolinha e a arma apontada pra cabeça. Sentou e tentou ligar pra sua amada, que ninguém na vizinhança sabia quem era e onde ela poderia estar. Pra tentar salvar o escorneado, o capitão Otávio chamou o GRT outra vez. O plano era o seguinte: trazer Antônio pra frente da casa, enquanto os homi pulariam o muro da casa e o surpreenderiam. O plano tava dando certo, até o momento que o escorneado ficou descontrolado. Mais uma vez, preocupados com os moradores que estavam na rua, os policiais mandaram Antônio entrar em casa. Se quisesse realmente se matar, que fizesse longe das crianças. O recado foi dado, porque o GRT estaria esperando-o dentro de casa. Só que os soldados não tinham conseguido pular o muro ainda. Antônio entrou, deitou na cama e s se ouviu o tiro. O escorneado deu um balaço na cabeça. Quando os policiais entraram na casa, encontram o cara ainda com vida, com a arma na mão e com um buraco na cabeça jorrando sangue. Os homi imediatamente chamaram os socorristas, que ainda encontraram Antônio com vida, mas o cara não resistiu e morreu a caminho do hospital. A mulher amada por Antonio até agora não foi identificada pela polícia. O corpo do coitado foi velado pela família.
faz um tempão que inventaram essa historinha de anti-alérgico.
não funcionou. ainda sinto urticária quando vejo milhares de pessoas reunidas. |