numerozero


30.1.06
levo o copo até a boca dou um imenso gole prazeroso. a fila anda. as pessoas somem dentro de uma gigante caixa preta coberta por fotografias antigas. não há vento na noite. não há mais quase nada. mesmo assim, ainda sinto o perfume exala de seu corpo. o cheiro forte de suas axilas. estou a um passo de sair, enquanto todos entram. a fertilidade ficará maisumavez guardada.

29.1.06
a presença do anjo passou despercebida. veloz. no meio da noite, enquanto estava na fila, levou um pedaço grande de mim. um pedaço imenso da alma de ferro que compoem e dá forma a meu braço.
sinto falta do aço.

28.1.06
"Quando eu piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas da minha Estação Primeira
Não sei quantas vezes
Subi o morro cantando
Sempre o sol me queimando
E assim vou me acabando
Quando o tempo avisar
Que eu não posso mais sambar
Sei que vou sentir saudade
Ao lado do meu violão
Da minha mocidade
Quando eu piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas da minha Estação Primeira
Não sei quantas vezes
Subi o morro cantando
Sempre o sol me queimando
E assim vou me acabando
E assim vou me acabando
E assim vou me acabando"

maldita lua! pragueja em passos cambaleantes & seus braços estendidos e suas mãos escorando-o numa parede. na cozinha de um restaruante chines, uma espanhola-russa com bigode ferve água pra macarronada. um amestrador de peixes ensina a um cação o salto triplo dentro de uma panela cheia até a boca com óleo fervente.

14.1.06
a dança das formigas ::::::::::::::::

olho pela fresta da janela & vejo a chuva cair mansa sobre as cabeças dos que compõem a marcha lenta-funérea destilando ladaínhas e crendices entre sua vigília sorridente de passos curtos. as vezes, eles me param. sapatos afundam em poças d´água que se formam com o tempo. eis o nosso destino!

talvez eu seja demasiadamente novo para compreender o que naquela passarela inerte agora ocorre. talvez novo demais pra sustentar um sentimento tão grande de poder.

ontem a noite o amor percorreu caminhos e erros. hoje ele é mais certo do que nunca. não há mais porque mentir, nem nada pra ocultar. aqui chegamos nós: você em lágrimas e eu completamente destruído, com fome de dor e a chuva pra me alimentar.

ontem, eu era apenas uma semente, demasiado nova para compreender assuntos tão velhos e intensos.
então me quebrei livre e funcionei como homem-adulto-prematuro de seis meses e meio.
carreguei afastado o sentimento. e, quando achei que me divertia a cortina subia e o sonho era deixado de lado ou esquecido ou dolorosos de menos

então ela disse: as vezes um homem deve acordar para conseguir encontrar o real.

e é assim que agora te encontro. rosto do cortejo da chuva / nasce uma lágrima.
você me beija novamente e pela última vez. queima meu rosto e me derruba. é sempre amargo o retorno da vontade & sinto que já estou me perdendo.

então a janela se fecha, a fresta desaparece. permaneço deitado e imóvel. a luz se apaga, a cortina cai mais uma vez. a tampa se fecha. eu entro no reino. subo e desço = atrasado demais.


9.1.06
esqueço de completar o ciclo. M-a-S. a palavra mais importante está lá. saudades de amanhã. a velha, bela, triste planta com queixo voltado para baixo. gramas molhadas envolvo minhas costas estão. subo e desço com humor de sacos plásticos. teorias nas sombras, sou um resto. um castelo em ruínas no meio do nada.
estou andando através das nuvens com uma mente em curto. funciono selvagem. As borboletas e as zebras e os vermes do feijão e as raízes dos pés do anjos amortecem minha queda vazia. continuo escalando colunas de vento. entristesso. quando vejo, estou entre mil sorrisos. certamente ando pelos caminhos errados e me sinto livre. tudo bem? pergunto. tudo bem? a outra metade de minha realidade responde. ela diz que qualquer coisa será sutilmente roubada e que você quer um pouco a mais.