::: deus gargalhou de desprezo ::::::::
- ou / o retorno da prg ex tra guista
ela baixou os olhos e o silêncio levantou assim ó: powwwwwww. deu pra ouvir duas galáxias explodindo novas nos confins do universo. ouvi também os carros que passavam pela avenida e o vento nas folhas das árvore aqui atrás de casa. senti medo/pavor e solidão, tudo ao mesmo tempo & cada sentimento desses separados potencializava o conjunto da obra. não soube o que dizer, então fiquei pensando no que aqueles olhos obliquos poderiam pensar. não cheguei a lugar nenhum. levantei o copo e propus um brinde. em vão. levantei o corpo e fui ao quarto escuro. que é o lugar onde os fantasmas se escondem e aparecem quando cometemos alguma besteira tão grande que chega a despertá-los, tirá-los de seu mundo de miriádes e trazê-los de volta a essa vida estúpida, mesquinha e sem razão aparente. fantasmas sorriem quando vêem o quanto somos estúpidos. acho que a reação tinha a ver comigo porque volta e meia estou aqui nesse quarto de castigo a espera de sua visita / diálogo forçado & corpos inertes. só que, dessa vez, eles vem rápido. não dá nem tempo de lembrar das ruas com cheiro de pêssego - dos pêssegos com cheiro de podre & das lâmpadas fluorescentes que alegram a frente de sua casa, como ela tinha dito a algum tempo atrás. só vem o que é enxofre e gira em minhas narinas / corrói a minha alma como um câncer bom, suave.
o fantasma me olha. duas bolas de sinuca no meio da cara. o sorriso de um alcólatra me faz crer "deve ser muito bom do outro lado".
ele lê o que penso e responde sem ao menos ser perguntado "bom o caralho, minha risada é da sua cara de cachorro puto que não sabe o que faz".
começo o papo como se começam os papos. tudo bem e essas coisas. "mas que merda" ele diz. "eu sei que tu sabe que eu sei o que eu to pensando". então voltamos pro quarto / então estamos em casa.
falo da carta sobre como cometer suícido que enviei pra minha amiga do centroeste a uns trocentos anos atrás. "tá, tá", ele ouve impaciente. e das ruas perfumadas de antigamente. "tá, sei". mas ele lê minha cabeça. sabe o que penso. pra ele, sou tipo um programa de televisão: monótono e indispensável. ele vê minha dor através de uma tela indizível. e rí que só agora vejo que o amor acaba rápido. tão rápido que não tem nem tempo de responder uma pergunta "você ainda me ama?" quando a mtv começou a passar um clipe do radiohead em sua programação diária.
p0r numerozero às 23:52
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