vejo a silhueta da cidade. se desenha triste a dois passos. sempre adiante. queria largar-me, não posso; queria desistir, não consigo. o ruído do rio me tranquiliza. quando tem tempestade, me apavora. está sempre presente a possibilidade d´á´gua levar meus bagulhos embora.
no calor as paredes placdamente
p0r numerozero às 19:47
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foram lágrimas ou umidade? talvez chuva ou o rio transbordou. as paredes amigas choram. tijolos vertem água
p0r numerozero às 18:37
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adoro conversar com as paredes. suas respostas incisivas me estimulam. o silêncio com que ouve minhas reclamações é magnifíco & recheado de compreensão. suas repreensões as minhas falhas são sutis feito gole coca-cola em garrafa de vidro ou tonalidades de papel celofane quando molhados sob água das pias dos banheiros públicos quando esfregados no cabelo.
a parede aconselhou-me a não desistir.
entro em abandono. saboreio superhists. meu nariz escorre, mas meu rosto está seco e meus olhos não estão mais amarelos. provavelmente não é hepatite o que eu tinha. provalmente não era nada. as bolinhas da catapora também desapareceram e minhas pernas estão lisinhas e depiladas. ajustei minha alma rasa e mergulho na noite pra festa de dois momentos anteriores. ela vai estar lá & eu estou a caminho.
percorro ruas sem árvores e sem iluminação alaranjada. as poças d´água ainda refletem o verde intenso da noite. as placas se dobram como se fossem líquidas. como se fossem feitas de mercúrio e como se estivesse nas mãos de uma criança que brinca em um depósito de lixo.
já vejo o neon azul. sei que ela chegou. meu coração me avisa. depois a avisto. está na fila. estaciono. o cavalo relincha - dá trancos pra frente ./. dá trancos pra trás - mas não dá coices nem chacoalha as crinas. os sacos de lixo não caem. menos mal, não passo vergonha. ela vê quando eu chego. passa a mão nos cabelos. sabe que a amo (já lhe gritei uma vez) e sente meu cheiro no vento enquanto me aproximo. tapa a boca com a mão direita. vira o corpo. move a escharpe & cobre o nariz. vou em sua direção. cada vez mais perto. nos olhamos. chego a dois passos dela. vejo meu rosto e meu peito nu no reflexo de seus olhos finos. ela não sorri. pergunto se posso, se ela já acabou, se ela tá afim. ela diz que SIM. então ela estende a latinha. agradeço. ponho no bolso ao invés de um saco separado. quando chegar em casa mostrarei as paredes. lamberei as beradas lisas do alumínio. depois guardarei numa sacola pequena de supermercado.
a deixo pra tras. volto ao lugar que está o tumulto. o cavalo relincha. a carroça deve estar pesada demais pra ele. e vai ficar cada vez mais pesada. é assim toda noite. é assim nas sextas-feiras.
(continua. espero)
p0r numerozero às 18:23
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