numerozero


21.9.04

sofro, mas isso não conta. agora estou bem. passei quase todo dia de greve. desde o rugir dos trovões pela manhã até o assassinato das crianças na escola à noite. parei para tocar em panos úmidos. em um fejão nojento. no silêncio, uma voz ecoa na minha cabeça oca dizendo que é preciso #oitenta, é preciso #oitenta e eu sei disso. líquido. líquido, ela repete. "não basta ser bruto como um marinheiro viking". "nem ser sutil como a mentira de um junky". ahhhhhhhhhhhhh, eu grito: não quero mais o pretérito imperfeito / não suporto. mas, querendo ou não, ele acaba comigo e eu acabo dentro dele. quero um texto sem vírgulas e com letras fora de ordem, isso é um desejo gestante. quero o extremo do pollissinnddetto E e E e E e E e E e E e E e E e E e E até o infinito dentro de uma mesma sentença. também não quero o pretérito + q perfeito ... a vida é um alvo muito distante. entretanto quero o abraço das palavras sujas e o aconchego da lágrima de deus criança |.| um imenso copo cheio (de nada) totalmente doce. e no final, quero ter certeza que sobrarão os espirais e a ausência matemática.

20.9.04
eu não falo de amor
mas não dêem bola para mim
eu (não?) sei o que estou dizendo


---- músicas novas da cérgio rrocha exp! -----
(talvez entrem na demo: gestos obcenos de uma mão de sete dedos)

(#1)
e as toneladas que nós somos
comemos em um sofá
e as toneladas das toneladas ao lado observando
o abismo do universo
no caos entre os beijos
temos as fábricas do açúcar

=====

(#2)
velocidade satisfaz
é melhor ter sempre mais
aumentos instantâneos
e viramos
super-heróis

pelo externo que reveste
com a vaidade que empobrece

isole C

=====

(#3)
se jogue no rio que eu te deixo
afogar-se tranqüilo
no vazio da existência
de uma vida sem tesão

por deus!
me carregue prum bar

=====
(#4)

dorme
num sonho estranho

a lua despencar do céu

chovem plantas

o vento uniu nossas mãos
as mãos tocam o céu
o vento uniu nossos pés
os pés também tocam o céu

gritamos noite a dentro invocando deus
gritamos noite a dentro invocando o sol

ela sofre
adormecida
na rua que eu nunca pisei

veja
quantas rachaduras
nu asfalto

sempre quis ferir minhas mãos
mas agora não dá mais
estou
doente
presos
na cidade irreal



19.9.04
um graaaaaaaaande ciberrrrreencontro

ontem é domingo. o desespero passou. esqueça o pesadelo e vem comigo em direção ao desconhecido.
como sempre.

18.9.04
resumo de notícias da semana ;;;;;;;;

ontem: mendigo para em frente a loja e fixa os olhos na vitrine. algum problema mental aparente. local, rua riachuelo, centro, em frente a casa do estudante na qual morei por duas semanas (até encontrar o cara do quarto ao lado pendurado numa barra de exercício pelo pescoço num "cinto"). sua atenção não está fixada nas calcinhas que as modelos semi-nuas exibem lá dentro e sim no reflexo fraco de seu rosto. ele leva a mão a boca. põe para fora a língua. encosta os dedos nos dentes que estão mais a frente de seu maxilar e os empurra. então ele os puxa. logo, ele os empurra novamente. puxa mais uma vez. PÁ. dois dentes na mão. ele sorri e tira para fora da boca a língua que agora não tem mais obstáculos para ficar exposta. ele senta escorado na vitrine e baba.

hoje. feliz, um homem sai do restaurante. logo depois do almoço, ele está de barriga cheia. chega até o borda da calçada e calcula para atravessar quatro pistas de avenida movimentada num horário de intenso movimento. nenhum carro pára. um ônibus lotação passa zunindo a dez centímetros da sua testa. ele olha (mas não reflete/pensa). corre em direção à outra calçada. desvia de um monza. desvia de um opala. VVVVRRRRÃÃÃÃÃÃMMMMMMMMM. desvia de uma moto. chega a terceira pista. capitula um instante na linha divisória da rolagem. VVVVã. passa um táxi. ele vai. quase lá. tá chegando. e:
VVÜÜPP!!!!
um kombi atinge seu corpo em cheio. ele cai na avenida a quatro metros de distância do local da colisão. seu corpo aberto expõe a comida que ele acabara de comer. macarrão ao molho branco, abobora caramelada, tomate e beterraba. a massa gástrica se expalha pelo asfalto. pedestres páram o trânsito. moradores de rua chegam e pedem espaço entre a multidão. se ajoelham e comem o que sai de dentro do homem.

amanhã. caminhando perto de casa num passeio matinal. a velinha encontra um moço passeando com um pittbul de testículos protuberantes. escandalizada com aquilo, acelera o passo e se aproxima do cão por trás. com a bengala opera uma vasectomia no animal.

::: um top 5 qualquer ///

- jeff buckley
- morphine
- miles davis
- neil young (decade 1)
- trilhas de filmes
- beck

:::: um top cinco de filmes que assisti na banderiantes durante as noites de sábado adolescentes ///////

- bonitinha mas ordinária
- para sempre na memória
- feelings
- ata-me
- sem limite
- drugstore cowboy


14.9.04
:::: recorta & cola
------------------------da u.d.s


O anúncio oficial das atrações do Tim Festival nesta terça-feira trouxe como grande surpresa o nome de PJ Harvey. Além da cantora inglesa, o indiano Panjabi MC e o duo dance Pet Shop Boys estão na escalação definitiva. Os alternativos do Kings Of Convenience ainda podem ser confirmados para abrir o show de Bebel Gilberto. Pela ala brasileira, Picalsos Falsos, Cansey de Ser Sexy, F.U.R.T.O. (banda nova de Marcelo Yuka, ex-O Rappa) e De Leve ficaram com as vagas. Como no ano passado, as atrações foram divididas em quatro palcos. Os ingressos começarão a ser vendidos em 1º de outubro. Ficou assim:



Dia 5 de novembro: Chico Pinheiro, Brad Mehldau Trio e Nancy Wilson & Trio (Tim Club); Kid 606 e Kraftwerk (Tim Stage); F.U.R.T.O., Panjabi MC e Kinky (Tim Lab); Soulwax, Cansei De Ser Sexy e 2 Many Djs (Motomix).



Dia 6: Mahogany Trio, David Sánchez Quintet e Branford Marsalis (Club); Picassos Falsos, PJ Harvey e Primal Scream (Stage); Bebel Gilberto (Lab); De Leve, Stone Love, Digitaldubs e Bumba Beat (Motomix).



Dia 7: Dave Holland Big Band, Birélli Lagrène Gipsy Project e Art Van Damme Quintet (Club); Uma noite com Brian Wilson (Stage); Grenade e Libertines (Lab); Pet Shop Boys e dj Mau Mau (Motomix).

blog / tédio / lit. de banheiro com azuleijos quebrados

ps.: agente_vai

7.9.04
::: homenagem à independência

a noite foi uma crase colocado numa letra errada. pela manhã, 100 páginas de administração pública - leis demais / controle pouco severo & banalização de todas atividades relacionadas. uma panelada de fejão (sem o "i" mesmo) no fogo e um livro do waltwhitman ilustrado à excelência de um modo concreto. gritos de liberdade vêm de um prisão sem grades. limites do cérebro e limites do olho. correspondência rasgada. enquanto mexia o fejão (sem o "i" mesmo), um gato se enroscava em minhas pernas e lambia as feridas que ela contém. aviões supersônicos da força aérea sobrevoam meu telhado de vidro, os cães das casas aos lados (4) ladram ao insuportável barulho que me deixa mais nervoso e concentrado na micro e na macro economia que preencherá minha cabeça vazia de esperança pelo resto da tarde. por favor, não comentem.

3.9.04
na verdade é tudo coisa da cabeça da gente. o jeito é pirar de vez e ficar louco de pedra. de todas as invenções, a mais absurda foi aquela que vc disse que conversava com uma árvore de ipê na rua da tua casa e ela dizia que valia a pena seguir em frente, que tudo é só uma fase & que a vida é feita de momentos de uma doçura-açucar-mel - e - sublimes momentos de amargas lágrimas com gosto de cachaça com quaco 9 e essas coisas todas. mas eu disse pr' árvore que naquela época eu andava amarrado no disco novo do beck e numas músicas tristes do jeffbuckley e numas pilhas de cair fora, mas não conseguia despreender meus olhos da geometria desconexa das calçadas e não conseguia parar de passar um frio danado o dia/noite inteiro. e ela disse que aquilo também era uma fase, que só existe sombra onde existe luz e a luz do sol deixa alma colorida. mas me abri total / sobre as pixações, sobre o banheiro público, sobre todas aquelas garrafas de qualquer coisa e aquelas páginas e mais páginas pela metade de literatura inútil que andava infiltrando e colando nos pilares da escola e da igreja; comentei o fato de as músicas do r.e.m. me deixarem tristes por me fazer pensar numa infância perdida. só que ela disse que não se tratava exatamente da infância e sim de um paraíso perdido que todos procuram desde que ela (a árvore) presenciou a evolução / quando os macacos deram um alívio para seus galhos e foram viver eretos nas planíces porque lá em cima não era mais seguro pois qualquer esquilo ou felino podia pegá-los desde a evolução_surgimento de garras em suas patas.
e heis que as patas desencadearam numa tristeza profunda que tomou toda a planície. e na busca por essa paraíso, ou alegria, ou seja lá que nome vc queira dar, espalhou a tristeza por todo extensão da terra, cruzou o mar, subiu ao céu, chegou ao espaço sideral com dejetos que hoje, quando voltam a atmosfera, chamamos poéticamente de "lixo orbital decompondo-se no lixo aéreo". e vamos.
- árvore. eu digo.
- o que? ela diz.
- não quero mais falar contigo.
- por que?
- acho que todos estão achando que eu estou louco.
- não liga pra isso.
- ...


1.9.04
suPervaZio
::::: ou / teste de template ::::

uma bosta
ou uma inversão moral
ou ainda
antes de tudo fuder
analiso_
bem:
de cima para baixo
de baixo para cima
um olho receptor mecânico grita:
"a vida em
tons
de
sépia te engana"
só uma palavra vem a mente de quem se encontra diante de um carro em veloz rota de colisão
MERDA
,
mas depois que o carro bate e a lataria se choca contra a carne
o
pensamento se modifica
torna-
-se
BOSTA