::numerozero::
cao$ - micro fonia - sur/r&alismo


30.7.04

se alguém está a espera da continuação do texto FAUNA URBANA: OS FÉRTEIS CAMPOS DE ASFALTO, aviso que ele só será postado aqui amanhã ou domingo. explico: é que daqui a pouco vou ao cinema com minha garota. assistiremos ao tão bombástico novo filme do michaelmoore. talvez eu poste a continuação do conto juntamente com uma "avaliação" do filme.
não sei.
não esperem por isso.


divirtam-se por aí sem cuidado.

postado por FELIPE DREHER às 13:30
comente:

29.7.04

continuei pelas calçadas cobertas de cocô de cachorro / flop, flop, flep, pack, flop / a caminho do parque. cachorro também é um animal da cidade. um dos piores, por sinal. quem o trouxe para esse sistema foi o homem que não gostava de ser classificado como "o animal mais estúpido do pedaço". agora o homem e o cão competem para ver quem é mais idiota - embora o homem sempre vença. como prêmio a idiotice maior, todo dia no final da tarde ou bem cedo de manhã, os homens passeiam com seus cãezinhos pela rua onde eu moro para que eles aliviem seus intestinos na calçada que eu ando e que, agora a pouco, cutucava uma barata esmagada com um pauzinho. claro que esse tipo de prêmio ao cachorros cria tensão e faz o ambiente ficar mais desagradável e fedorento, só que se o cachorro não é tão estúpido quanto o homem, ele pode cagar na calçada e ninguém limpar, certo?
esse odor das fezes ajuda a atrair outro animal da cidade, a mosca de cocô. depois que os donos vão embora com seus cãezinhos premiados e felizes, os dejetos que eles depositaram na calçada serve de abrigo para os insetos armazenarem suas larvas e perpetuar a espécie no universo.
como vocês podem notar, a estrutura urbana foi criação e gira em torno do homem, e exatamente isso fez dele o pior de todos habitantes das cidades.

mas, como eu dizia, continuei a andar pela calçada coberta de fezes caninas / flop, flop, flep, pack, flop / e insetos /zzzzzzzzz-z-z-zz-zzzzzz / que usam essas fezes para procriar em direção ao parque no qual pretendia passear numa linda e úmida manhã de sol de terça-feira.

cheguei a avenida que divide a quadra na qual eu estava da quadra do parque. parei na calçada. observei os veículos passarem a uma velocidade cretina (nem rápido nem devagar, a velocidade perfeita para se tornar impossível atravessar a rua). veículos não são animais, mas são organizmos urbanos muito bem adaptados pelo homem a vida na cidade. eles dividem-se em duas categorias (móveis e semoventes) essa classificação depende de sua tração, sendo que cada categoria, divide-se em três espécies específicas. os móveis utilizam tração mecânica, esse fato faz com que emitam gases que ajudam a controlar o tempo de vida das espécies sobre a terra; dessa categoria fazem parte os ônibus, os carros e as motocicletas. já os semoventes são um tipo de veículos mais rústicos, até arcaico segundo meu amigo saldanha. sua tração animal não emite gases poluentes, mesmo assim não dá pra deixar de salientar aqui o fato serem os mais mal-cheirosos de todos. compõem essa categoria os homens, as bicicletas e os cavalos/charretes/carroças. do primeiro já falamos antes, o segundo não nos interessa, portanto, entraremos no terceiro agora.
mesmo sob um olhar superficial, podemos ver que os cavalos também são animais da cidade. um pouco deslocados temporalmente, mas animais da cidade. não é raro se deparar com um andando por aí a puxar uma caixinha de madeira com rodas cheia de papel/metal/plástico. geralemente nessas circunstâncias, existe um homem que os acompanha e defere contra suas costas golpes violentos de chicote. outra forma comum de vermos os cavalos são na saída dos jogos de futebol ou shows de rock quando estão embaixo de um homem com farda verde oliva e boné branco. esse homem sentado sobre o lombo do cavalo tem a finalidade de conter tumultos, emprestar o isqueiro e fornecer medo aos homens da cidade que não podem viver sem medo. medo da violência, medo do imposto de renda, enfim, o homem da cidade sofre a vida inteira de vários tipos de medo e isso o deixa feliz porque pode ficar triste e, ao estar triste, se identificar com os outros homens da cidade. cavalos também cagam. como cagam na rua, não diz muito respeito nessa história. pois todo o trajeto que descrevo ocorreu nas calçadas. só ressalto aqui uma história que lembro de uma vez que vi um cavalo energumeno. ele cagou tanto e em tantos pontos diferentes que merece mensão, apenas para registro.
mas como eu dizia, estava na calçada e esperava o trânsito dar uma trégua para chegar ao outro lado da avenida, ou seja, no parque.
(continua amanhã)

postado por FELIPE DREHER às 10:59
comente:

27.7.04

dos animais da cidade, o homem é o pior de todos. eu sou um homem. eu sou um dos piores de todos. como sou um pior de todos os homens não consigo dormir, porque que, além de ser o mais imbecil dos animais, sou dotado de consciência que me diz o quão pior eu sou. e isso me dá insônia.
levantei da cama cedo. pela manhã fui andar no parque. no caminho havia uma barata tonta. sem saber para onde ir, ela correu para baixo do meu sapato (creck-k-k-k) & fez com que eu me sentisse pior ainda. me agachei para ver de perto o inseto que esmaguei. ele estava lá, fininho e esbugalhado. dele saia uma gosma esbranquiçada que eu mexi com um pauzinho que quebrei de um galho de uma árvore. pac, pac, pac, a barata tonta esmagada imóvel na calçada cinza coberta de cocô de cachorros. levantei e continuei a andar em direção ao parque.

postado por FELIPE DREHER às 12:18
comente:

26.7.04

acabei de construir um site para sérgiorrochaexp! no trama virtual. escrevi um release e coloque fotos e tudo. fiz algusn contatos, mas não encontrei nenhuma banda (ainda) com conceito parecido com o da SRRE! para trocar material e dividir palco e essas coisas. o próximo passo, talvez o mais importante, agora, é gravar um som, passar a música para o formato mp3 e disponibilizá-lo no site.
além desse lance na trama, tem o site da banda que pode ser visitado clicando no link ao lado na seção de bandas.
o lance dessa súbita incursão musical é a desistência de várias coisas e o fato de minha cabeça quase explodir. os momentos são compostos por crises de expressão abstratas demais para o silêncio zen. só o ruído e a microfonia me acalmam.
tenho / elas me tem / várias músicas inacabadas rondando minha cabeça atormentada que precisam sair de qualquer maneira antes que todo meu universo celular exploda ou eu o exploda de alguma forma.
e a sérgio rrocha exp! é uma banda foda. foda mesmo.
é uma válvula de escape sem limites de vazão.
a formação de teclado, bateria, efeitos, vocal e - as vezes - baixo e guitarra - me fascina. é uma forma bacana de trabalhar a música que possibilita linhas melódicas do vocal que se despreendem do todo instrumental / ou vice-versa. dessa forma, posso fazer letras desconexas que assumem seu sentido a partir de uma re-organização aleatória e totalmente involutária. é como um quebra-cabeça com muitos fragmentos que não se encaixam.
e tem também o lance teatral e as abstrações que compõem a atmosfera mais sombria que pode existir num clima que deixa as pessoas com medo que as revela um instante de vida que - sendo em outras circunstâncias - elas só querem esquecer e beber uma coca-cola.

postado por FELIPE DREHER às 17:49
comente:


A vida eternal foge de meus abraços
construo meu caixão vermelho com glitter
um homem, fixa o último prego
e quando esse cavalheiro acabar seu jogo estúpido
sereo um horizonte vermelho que queima

gritem nossos nomes enquanto suas fantasias são quebradas

vocês pensam realmente que esta estrada sangrenta pavimentaria a de vocês?

mas ela melhorava meu mundo e me tornava completo com seu beijo de vida eterna,
anjos racistas a levam embora
o que você fizeram?

assassinos de filhos abortados
coroe com medo,
seu rei definha num ponto injetor

tudo que eu quero fazer é o que eu devo fazer
e suas fantasias se quebram

pensam realmente que esta estrada sangrenta pavimentaria a mentira de vocês?

Não havia nenhum tempo passando,
pergunto onde está o amor, onde está a felicidade, o que é vida, o que é paz?
Quando encontrarei a nova força para me trazer a liberação?
E diga-me onde está o amor prometido?

homens fazem sua prisão
para andarem sozinhos
e eu
teria uma mensagem para você no seu inferno distorcido
de onde você gira mais/melhor ao redor de mim e funde-se em um beijo adeus ao momento de vida eterna

(jeffbuckley)

postado por FELIPE DREHER às 17:35
comente:

23.7.04

ex pressão

postado por FELIPE DREHER às 12:21
comente:


sentido do non-sense
acho que ainda acredito nisso.

o tipo de coisas que
voam
a nossa frente
principalmente quando estamos parados esperando a chaleira anunciar a água quente do café.

postado por FELIPE DREHER às 12:20
comente:


um rato vestido de noiva estranha seu traje, pois ele é macho. reclama, esperneia, bate com a cabeça na parede. até que um gato aparece e pergunta:
- o que que tá acontecendo aí?
totalmente perplexo, o rato corre para baixo de um toca-discos stereo que estava ao lado da lata de lixo e pertencia a uma velhinha que resolveu trocar toda sua coleção de discos do rayconniff pelos cds do kennyG. - preciso introduzir aqui, uma informação muito importante: o toca discos funcionava também a pila, tamanho A, coisa que foi abandonada pelas empresas fabricantes desse tipo de equipamento de som, já que as pessoas não costumavam levar um toca discos stereo do tamanho de um armário e com o peso de um armário também para a praia, acampamentos, piqueniques, essas coisas e seus donos preferiam mantê-lo nas salas de estar de suas casa com uma toalhinha estendida sobre ele e um vaso de gerâneos. outra informação importante é que o aparelho que estava jogado no lixo, no qual o rato se escondera em baixo, ainda estava com as pilhas - meio gastas, mas isso não vem ao caso - que a velhinha havia ganho de brinde quando comprou um stereo tão moderno.
mas o rato estava lá em baixo com o vestido de noiva.
quando o gato viu que o rato correu lá para baixo ficou pensando "será que eu realmente vi um rato com vestido de noiva correr para baixo daquele stereo" pois o gato havia recém saído do bar, onde havia muitas risadas e cervejas, & mais "por que alguém jogaria um stereo tão bacana no lixo?". nesse ponto o gato compreendeu a situação, pois pode ver os discos do rayconniff jogados ao lado do stereo. de qualquer forma, foi conferir o equipamento de som de perto e também ver se não era uma alucinaçãio alcólica aquele lance do rato com vestido de noivas.
chegou mais perto.
farejou.
deu a volta no lixo.
plow.
subiu no stereo.
o impacto de seu peso sobre o equipamento acionou as pilhas e fez o prato girar e agulha procurar os sulcos do disco do rayconniff que estava sobre ele.
flup.
o gato pulou.
um trompete tocou introduziu uma música do robertocarlos orquestrada. pápá ra papapapa pa.
"filhadaputa" pensou o gato. esquecendo completemente o rato, foi embora, porque rayconniff tocando robertocarlos era insuportável.
o rato vestido de noiva permaneceu em baixo do stereo. tempo. mais tempo.
quando o disco quase acabara o caminhão de lixo chegou. um lixeiro pegou o som, viu que funcionava, e pegou o stereo para si. antes, tirou o rayconniff do prato e jogou-o com o resto dos lixos do caminhão e foi até um sebo no centro da cidade comprar os vinis do kennyG.

postado por FELIPE DREHER às 12:18
comente:

8.7.04

caralho.
tô lendo "the butcher boy" (nó na garganta) e é animal.
então eu enfiei a cabeça na água e disse pros peixes pra onde vocês vão agora peixes fodam-se peixes eu disse.

postado por FELIPE DREHER às 15:12
comente:


se a arte já era, a técnica precisa ser revista também. mas que as duas estão quebradas, isso é certo.
hoje eu acordei com meu ouvido esquerdo sangrando sem motivo aparente. ontem, pensei que meus olhos fossem sangrar, de tanto filme ruim que assisti. acho que foi a seqüência mais escrota de filmes que eu já vi em toda minha vida. era a mostra dos curtas que participam do cineesquemanovo - festival de cinema de potroalérgico. mais foda sobre o assunto é o fato de ter lido no site do festival que os filmes haviam sido selecionados por trazerem "inovações estéticas". então tá. não vi. acho que entrei na sala errada. eles não tinham nenhuma inovação nem estéticas, nem em suas histórias fracas, muito menos em sua fotografia convencional - enfim, aquilo foi uma exibição da mediocridade dos que se aproveitarão do dinheiro da embrafilmes daqui a 10 anos (futuro - uhuuuu) para encher telas de cinema com merda e seus bolsos com dinheiro público. depois de tudo fiquei pensando uma coisa do tipo "quem foi o curador dessa merda? o rubensewaldfilho? o joséwilker?" e "imagina os que ficaram de fora mostra", aí tive vontade de saber seus títulos desses para assistí-los, pois devem trazer alguma inovação visto as películas do festival / sei lá.
dos quase vinte filmes exibidos, somente um se salvava e outros dois davam pra aturar.
o menos ruim era uma produção brasil/suécia que contava a história de dois carinhas dentro de uma casa com uma iguana meio doente. o dono do lagarto não sabia o que fazer pois seu réptil de estimação não comia a dias, então chamou o amigo
que era dentista para tratar do bicho. como ele não sabia o que fazer também, pois aquilo era trabalho para veterinário, resolveu dar uma injeção que acabria definitivamente com o sofrimento do bichino; e assim se segue e os dois passam o resto do filme bebendo cerveja e velando o corpo morto.
quanto aos outros dois, destaque para "o ovo colorido". um cara come um ovo curtido - desses de buteco - e começa a ter alucinações, a partir disso, tudo que ele vê fica da cor do ovo e a voz das pessoas viram cacarejos e essas coisa. ou outro é "o bêbado". filme p/b mudo (a inovação baseada naquela feita por lumier a quase um século atrás - que bosta!) no qual um moleque bêbado entra num bar e fica pedindo cigarro pra galera que assiste a um jogo de futebol. o legal desse filme é a captação de imagens. embora todos os filmes da mostra tenham sido feitos em 16mm, "o bêbado" foi o único com qualidade nesse quesito.
quanto ao resto dos filmes, nem merecem menção. um bando de filme chato, repetitivo, sem criatividade, como diria rickyfitz do beleza americana quando esculacha a mocinha loira amiga da thorabirch:
- "totalmente comum"

um DETALHE muito chamativo:
nos filmes - todos brasileiros, é claro - é que, só o de produção suéca tinha um ator negro (isso que mais da metade da população de nosso país, o é.) acho que esse elemento eles copiaram nas novelas, onde os negros são minoria e ocupam uma camada "subalterna" da sociedade reatratada. mas as inovações do festival não param por aí.
o público, composto pela turma de produção audiovisual da universidade jesus e cia. ltda, adorou as chanchadas exibidas e provavelmente reproduzirão a maioria daqueles conceitos / uau / inovadores.
que bosta.
isso só me fez lembra o teixeiracoelho na palestra que deu sobre artaud na terreiradatribo e disse que a arte mata
- de fome ou de abandono.


a melhor coisa da noite foi que alguém roubou o banner do evento - aquele que tem um sãojorge enfiando uma lança num dragão de material fílmico com os dizeres DESBITOLE-SE

então tá, senhor sãojorge, pode deixar que é exatamente isso que vou fazer.

postado por FELIPE DREHER às 15:07
comente:

6.7.04

novos links ao lado
<--
sergiorrochaexperiência

postado por FELIPE DREHER às 17:34
comente:


quando
seu dia é longo e a noite,
a noite é sua
sozinho
melhor inimiga /
quando
você está certo que teve bastante desta vida
e só quer cair num poço /

Não
se deixe ir às vezes,
porque todo mundo machuca e todo mundo chora. todo mundo machuca./

às vezes tudo é errado.
agora
é hora de cantar a distância --
pois seu dia é longo e a noite vazia,
e a presão é gigante

deixe ir e vá,
se você pensar bem já teve demais desta vida -- mesmo
teve o conforto e envolveu-se de amigos.
todos que ferem.
e que são feridos
mas
não jogue nas suas caras.
Oh, Não.
estenda a sua mão.
porque se você sentir sozinho,
não., eles estão
se você estiver em si, os dias e as noites serão seus,

quando você pensa que você teve demais desta vida
e
tenta se pendurar numa viga.
Bem,
todos ferem -- de qualquer forma -- todos choram.
todos ferem, às vezes. todos, às vezes.

postado por FELIPE DREHER às 17:28
comente:


juro que eu hesitei ao pegar o disco da prateleira e levá-lo até a vitrola. deitei-o sobre seu berço oitentista. quando o prato começou a girar e a agulha se posicionou no sulco do vinil, meu corpo todo tremeu. os fantasmas voltariam. todos os pelos do meu corpo ficaram eriçados. foi só a guitarra entrar rasgando na primeira nota que meu medo se partiu em dois, seis ou vários se multiplicando como um gremlin jogado no mar. e um "putaqueopario! nirvana é du caralho" vir a minha cabeça foi instantâneo. fazia muito tempo que eu não ouvia o nevermind. acho que quase cinco anos e desse passado brotam fantasmas melancólicos e essas coisas que uma pessoa que sentiu o fedor da adolescencia sabe bem do que se tratam. só que agora eu me deparo com a ele e é diferente:
- estou aqui, entretenha-me.
diferente porque tenho força e silêncio e sei algo que não sabia antes. fantasmas não machucam.
a primeira imagem foi de quando comprei o disco com um dinheiro que tinha ganho de natal do meu avó em 1992. até então, não me ligava em música (e veja no que deu).
aquela capa da criança circuncisada nadando atrás de uma nota de um dólar estava esquecido na única loja de disco da minha cidade a aproximadamente seis meses/um ano e quando eu levei aquela criança pra casa meus pais ficaram escandalizados e meus amigos me zoaram por não ter pego o appetitt for destruction do guns n roses. enquanto o tempo passava, e meus amigos ouviram guns n roses, depois ouviram iron maiden, e depois um monte de outras coisas, hoje, meus amigos daquela época ouvem rap ou pagode ou sei lá o que e eu estourava espinhas, sentava no chão, fumava um cigarro, me detonava com birita e ouvia (assim como agora ouço de novo) o mesmo disco que comprei em 1992. isso em 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99.
é notável como é diferente sempre, mas diferente da mesma forma se é que dá pra entender. nevermind é como se fosse um ritual de passagem para mim. cada música, cada acorde, interferiu na minha de um modo que até o kurt cobain desaprovaria. ele não foi apenas uma influência músical, foi algo maior que formou traços de minha personalidade e da minha vida.
e nunca deixou de ser assim. a cada audição, um novo fragmento de minha existência se despreende do meu corpo e um novo se acopla a ele como se eu fosse tipo um lego, sei lá.
assim a vida segue.
agora, ao invés de espantar os fantasmas, convido-os para beber vinho comigo.
e aí, tá afim de um gole?

postado por FELIPE DREHER às 17:08
comente:

5.7.04

as ondas de desesperança permancem / além. enchem o vazio de desespero / sem som. importam ruídos a mente engana. mas mantenho o silêncio porque me convém.
sozinho de qualquer forma / sem forma alguma meu corpo é uma taça que (se) parte - pratico os sussurros quando estou comigo. me ouço & não acredito. minha alma não compreende os códigos do meu corpo e meu corpo invisível absorve toda espirituosidade dos fragmentos do que resta / nada. estou completo quando vejo que as nuvens não são feitas apenas de água.
vinho suave escorre pelas paredes mofadas. correntes elétricas absorvem meu olhares vagos. o quarto de luz é a dispensa das bombas. olho para onde teu dedo aponta e lá só vejo nada. só uma casa de madeira aos pedaços com o teto desmoronado e janelas mágicas - que abrem e mudam de cor toda vez que pisco.
chego ao pico e avisto o paraíso bíblico.
ninfas nuas com cabeças de múmias.
maçãs soníferas são casas de serpentes.
vejo a mim mesmo preso numa caverna.

postado por FELIPE DREHER às 15:49
comente:


UM RELÓGIO, UM RIN E UM TOCA-FITAS ::::::

um del rey azul metálico subia uma rua semi arborizada no início de uma tarde de sol, mas fria mesmo assim, num começo de inverno de terceiro mundo. o motorista do carro escolhe um lugar a sombra no meio da quadra e em frente a um prédio classe-média sob uma árvore sem flores e sem folhas. ao lado uma fila de carros tripulados por motoristas carecas e barrigudos que cantam o sucesso que toca no rádio sem olhar para o lados ou se encomodar para as motos de entrega a passarem velozes enquanto esperam o sinal ficar verde na esquina a duzentos metros de distância para poderem entrar na numa rua que dá acesso a parte norte da cidade. o motorista do del rey azul metálico também não liga para isso & nem para as pessoas que saem do supermercado a 50 metros de distância e transitam pela calçada com sacolas de compras e crianças arrastadas pelos braços - ele simplesmente fica sentado com o olhar cada vez mais nebuloso e a respiração mais fraca. esfrega os olhos e abre a janela. põe a mão no peito e suspira e morre e seu corpo assume um tom de porcelana queimada e exala o perfume das flores plásticas de um cemitério. um moço de pele parda se dirige ao del rey metálico e desiste de falar ao senhor sentado lá dentro "bem cuidado tio", ao invés disso, ele se espanta e não sabe se corre, se chora ou se grita. enquanto decide, ele olha pro lado. e aí todo mundo olha pro lado - até os motoristas da fila que esperava o sinal abrir param de cantar suas músicas e olham para o lado. a mulher que levava a criança olha, mas insiste para que o filho que ela arrasta pelo braço olhe para o outro lado. o trânsito pára - o transe se quebra. um moço sem camisa põe o braço pela fresta da janela do carro e toca o pulso do senhor que morre dentro do carro. as pessoas perguntam um monte de coisa e um barulho ensurdecedor de conversa começa a tomar a rua semi-arborizada de classe média num começo ensolarada de tarde fria de inverno numa metrópole do terceiro mundo. alguém morreu, claro.
eu vinha subindo a rua quando vi o alvoroço. pessoas inconformadas cercavam o carro. cheguei um pouco mais perto e não precisei perguntar para ninguém o que era aquilo. acelerei o passo, quando estava a uns dez metros de distãncia berrei "ABRE, ABRE" as pessoas obedeceram e deram espaço para que eu passasse (talvez achassem que aquele senhor morto fosse meu pai) e me olharam com espanto e admiração e dó.
abri a porta do del rey azul metálico puxei o toca-fitas do painel, tirei o relógio do pulso do cadáver. procurei o canivete no bolso da minha calça - mas não o encontrei. mexi no porta-luvas do carro e lá estava uma faca de descascar laranja com a qual abri o corpo do velho na altur da barriga e extraí seus rins. as pessoas gritaram, mas pulei rápido pra calçada e sumi com um relógio, um rin & um toca-fitas.

postado por FELIPE DREHER às 15:37
comente:

-:blogs:-
:: :desmemória::
:: *ficções* ::
:: *numerozero* :: : :
::soo sthebes t::
::para íso per dido ::
::eletroi ndie::
::an dróideparanóide::
::fra gmentosamorosos::
::sarajevo::
::conexxão ssp::


-:bandas:-
::sérgiorrochaexp!::
::morphine::
::vianamoog::
::deuseodiabo::
::sonicyouth::
::radiohead::
::radiohead[br]::
::björk::


-:zines:-
::oapanhador::
::gordurama::
::nao-til::
::CardosOnLine::
::screamyell::
::trabalhosujo::


-:links:-
::sub_verso::
::anarquismo::
::pinelcomics::
::douglasadams::
::artéria 8::
::greenpeace::
::projetotamar::
::budismo::
::gonzo::
::cafesale::
::gardenal.org::
::projetonascente::
::cinebox::

• • • • •

• • • • •

felipe


Powered By Blogger TM