
:::::::: sempre patos (ou, LOZER) (ou ainda, extrutura poêmica)
...........................sempre tem uns loucos que capinam no asfalto. faiscas crescem de suas enchadas. e as pedrinhas se movem na maciez do piche duro no frio, mole no calor. a relva (vulgar) deixa de respirar, mas sente alívio porque não será mais esmagada pelos pneus dos carros que nem ligam, ou fazem de conta que nem ligam.
..................................................sempre tem uma velha que escarra na calçada. seu catarro podre, velho e desesperançoso de quem não tem mais nada além da lembrança da perda - que dentro de pouco tempo - a própria perda da memória apagará todas as lembranças. ficarão apenas os momentos da primeira infância quando um adulto mal não tinha imposto limites do tipo "chora é coisa de viado".
...............sempre tem um adulto recalcado cagando regras. regras que algum outro adulto cagou nele quando ele ainda era criança.
......................................................................e por falar em cagar:
.....................................................................................antes de entrar na aula, pisei numa merda de pato no corredor. as bostas de pato são macias como o piche do asfalto baforento de verão. não senti nojo não senti nada. mas quando o auto-falante anunciou o concurso de poesias da faculdade jesuíta e disse que o prêmio era o livro novo do fabríciocarpinejar, vim correndo para frente da máquina para compor essas linhas que vcs estão lendo.
........................sempre tem alguém que acha que poesia é uma coisa que pode ser julgada. feito um jogo. um jogo de palavras.
..........então tá.
....................eu sempre perco, mesmo quando não disputo. congratulações ao fracasso. ou, um brinde a ele.
mas, como eu ia dizendo: sempre tem aqueles que acham que um livro do fabríciocarpinejar é um prêmio. o prêmio do perdedor é uma pisada na bosta do pato, uma pisada no escarro da velha desesperançosa ou uma capinada no asfalto.
uma música traduzida com técnicas estraguistas
o grande além
eu presto atenção à queda das estrelas silenciosa de seus olhos.
as vistas que eu vi.
eu não posso acreditar que eu acreditei
eu desejei que você também pudesse ver
aquele planeta novo no sistema solar.
Não escondi um coelho na minha cartola.
eu que empurro um elefante escadas acima
eu que lanço socos ao ar
eu que deixo pianos cair sobre meus ombros
deixa pra lá
As conversas que tivemos esses tempos foram boas.
Mas eu não quero permanecer ao redor.
Por que não podemos por fim a pantomima e deixar apenas nossos olhos e sonhos doces num sono seu e meu com as asas em nossos pés?
Não escondi um coelho na minha cartola.
eu que empurro um elefante escadas acima
eu que lanço socos ao ar
eu que deixo pianos cair sobre meus ombros
deixa pra lá
eu que quebro dobro as colheres
eu que colho flores que já secaram
eu que procuro respostas além de mim
quero os hummingbirds, um urso dançando, os sonhos os mais doces.
eu estou olhando às estrelas eu estou olhando à lua.
Não escondi um coelho na minha cartola.
eu que empurro um elefante escadas acima
eu que lanço socos ao ar
eu que deixo pianos cair sobre meus ombros
deixa pra lá
eu que quebro dobro as colheres
eu que colho flores que já secaram
eu que procuro respostas além de mim
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felipe