::numerozero::
cao$ - micro fonia - sur/r&alismo


31.5.04

teatro
zzzzzzzzzzzzzzz o inimigo
uma peça es tra guis ta em um ato

dos personagens, o que menos fala, se chama linguarudo. na verdade, ele não diz uma só palavra a peça inteira. minto, ele fala no finalzinho. dá "as morta" pra platéia. o grande tema da encenação é o fedor. sem ele, o texto não poder virar uma peça. tem que feder e todo o dia, tem que feder mais. assim, as apresentações serão sempre uma diferente da outra.
mas o linguarudo táva sentado no bar que ambienta 73% da peça. o linguarudo tá sentado numa mesa dessas de ferro com uma garrafa de coca-cola enfiada dentro da calça no meio das pernas com um canudinho que parte do gargalo da garrafa e vai até a sua boca. ele desiste da coca-cola e enfia o nariz dentro da camiseta. o bigode, dono do bar grita pra mulher (que também tem o apelido de bigode e faz sopa na cozinha):

BIGODE (ele): o fedor começou de novo.
BIGODE (ela): dá um jeito.

o bigode olha para o linguarudo e chama:

BIGODE (ele): o linguarudo?
LINGUARUDO: ...
BIGODE (ele): de onde tu acha que vem esse fedor?
LINGUARUDO: ...

entra o cara gostosão dono do carro com vidro preto e tira a camisa. e fala:

GOSTOSÃO DO CARRO COM VIDRO PRETO E SEM CAMISA: o bigode?
BIGODE (ele): ah?
GOSTOSÃO DO CARRO COM VIDRO PRETO E SEM CAMISA: que fedor é esse?
BIGODE (ele): não sei, mas pera aí que já vejo.

o bigode vai até a cozinha e a mulher dele entra em cena.

BIGODE (ela): putz. aqui tá fedendo mais que lá trás.

o bigode (ele) volta da cozinha com um gato morto e atira na platéia.

BIGODE (ele): acho que era isso.

todos se olham e só o linguarudo não fala nada.

GOSTOSÃO DO CARRO COM VIDRO PRETO E SEM CAMISA: de onde tu tirou esse gato morto?
BIGODE (ele): táva lá na cozinha.
GOSTOSÃO DO CARRO COM VIDRO PRETO E SEM CAMISA: um gato morto na cozinha?
BIGODE (ela): tu não pegou meu gato na panela de novo?
BIGODE (ele): o bicho tava fedendo na panela!
BIGODE (ela): mas era o almoço de ontem! e era o almoço de hoje!
GOSTOSÃO DO CARRO COM VIDRO PRETO E SEM CAMISA: mais eu comi nesse muquifo ontem e ia comer aqui hoje de novo.

e eles começaram a se estapear & rolar pelo palco. o linguarudo levanta & lembrando a nicolekidmana no dogville puxa uma metraladora e mata todo mundo jorrando sangue aos baldes pelo palco e manchando a camiseta a camiseta de quem estava sentado nas primeiras filas com sangue (que na verdade é catchup)

fim da peça.

postado por FELIPE DREHER às 15:15
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:::: alter_eu ///////

da praia, eu olhava o mar. as ondas, o vento, a espuma. sua imensidão despertava fascínio e esse fascínio era o que mais me assustava. eu olhava o mar e minhas mãos, pernas e células tremiam. átomos tremiam.
fixo meus olhos no azul e deixo as mãos relaxarem e as pernas darem mais um passo para trás. estou de volta ao santuário.

um dia, na praia, o mar me chamou. eu desci até ele e meus pés foram tocados pela sua grandiosidade oceânica.
com o corpo tremendo, eu segui sob a água. lento afundei até o peito, e avancei. quando ela tocou minha boca, senti seu sabor e o sal. quando ele tapou minhas narinas, senti seu perfume de dor. quando ele cegou os meus olhos, desfrutei da beleza e dos segredos da dúvida & quando - finalmente - imergi no oceano senti o alívio da vida que escapava.
agora EU sou o mar.

postado por FELIPE DREHER às 14:53
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26.5.04

::: qualquer dia ela compra uma arma /

"se tu passar por essa porta, pode ter certeza, eu chuto a tua cara depois te bato com isso". e o pai não tava brincando. a criança olhou para ele e percebeu seus olhos vermelhos de raiva e álcool e foi, lentamente, baixando o olhar até ver em suas mãos cheias de graxa, uma corrente de bicicleta que ainda balançava e que tinha impregnado sangue da semana passada.
viu, atrás da figura que a aterrava, o vulto da mãe que soluçava em frente ao fogão e ao seu lado uma garrafa plástica de rótulo amarelo com líquido pela metade, onde ela dava uns goles escondidos enquanto o pai ainda ameaçava o açoite.
"vai. e só volta quando tiver dinheiro suficiente ..." não entendeu o resto porque saiu correndo o mais rápido que suas pernas pequenas conseguiam e quando olhou pra trás viu a luz do casebre de madeira se apagar com o fechar da porta. seu pai sumira para lá dentro e ela sumiu na escuridão e no mundo. andou até a sinaleira e pediu moedas para todos os carros que paravam no sinal vermelho. e ninguém abria a janela. e todos fingiam não vê-la. alguns davam migalhas que não apartava sua miséria.
desceu até a região dos bares e passou de mesa em mesa. tudo que ela precisava era um pouco mais de $2 pra levar pra casa.

três horas mais tarde ela tinha a quantia e voltou correndo. olhos frios. corpo gelado e cansado. chegou e viu seu pai dormindo em com a cabeça escorada em cima da mesa com a garrafa plástica de rótulo amarelo deitada, vazia, do seu lado. quando pisou na madeira fraca da entrada, um rangido fez seu pai despertar. "ah. é você". "eu trouxe o dinheiro". "dá aqui". ela primeiramente hesitou, mas entregou na mão de seu pai que sem perder tempo agarrou seu bracinho e a arrastou para o quarto - ao lado a mãe dormia - e violentou a criança mais ainda do que já havia violentado com tantas ameaças. o barulho acordou a mãe que levantou e viu tudo, mas não deu muita bola e voltou a dormir.
ajeitando a calça, o pai voltou a cozinha e pegou a corrente de bicicleta. "que que adianta trazer o dinheiro a essa hora". e bateu na menina porque o bar já estava fechado.

postado por FELIPE DREHER às 18:29
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......... de fenda_se


- qualquer coisa pode salvar o rock?
- ele não precisa ser salvo.
- smiths é salvação do rock?
- só cristo salva.
- veja as bandas inglesas e americanas,
- lagarto não olha pros lados
- os doors estão em ótima forma.
- por isso se tu vires algum andando por aí
- ou até mesmo os velvetunderground e o
- não fique no caminho.
- iggypop.
- o ursinho poof?
- gimmedangerrrrrrrrrrrrrrrrrr
- tem dois dentes cariados.
- sua cama está sempre cheia.
- mas vermes comerão seus restos.
- não importa,
- garças sorriem daltônicas.
- a crise é grande mas ele se vira
- e no final sempre sai uma música nova perto do natal
- não tem mais segredo
- o mercado fica sensível.
- todos foram revelados pela internet.
- e quando alguém planeja uma atentado terrorista?
- o iggypop, na mtv!
- jornais não servem de coberta,
- vegetariano, uma ova.
- se bem que quem vive na calçada passa frio.
- tô loco pra ouvir o novo da janis.
- sãopedro se fode com esse monte de mortes no inverno.
- tem muito blues e muito sopro.
- se bem que vai tudo pro inferno mesmo
- e quem salva o rock brasileiro?
- com um inverno desses, nada melhor.
- a pitty talvez, eu acho.
- o diabo não deve repartir sua pinga.
- ou os detonautas.

que bosta esses diálogos pela internet.

postado por FELIPE DREHER às 18:14
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22.5.04

o gosto do vinho

procuramos por cerveja norteña / aquelas de litro - ho hay, disse o garçom com uma toalha no ombro e um palito de fósforo na boca e um cigarro pendurado na orelha - voltamos para casa e sentamos em nosso sofá aconchegante e verde, bebemos vinho argentino / os nacionais estão muito caro no supermercado da rede nacional / assistimos KILL BILL vol. 2 na televisão.
ainda não estabeleci quais são meus bares por aqui. ou estabeleci. tenho aquelas antigas generalizações que ainda servem. tipo: eles são todos meus bares favoritos. ou quase todos. porque prefiro sempre os mais baratos e mais fuleiros, porque a assepcía (?) burguesa não me interessa, aliás me interessam pouco seus xiliques, quanto que a fauna que habita os balcões de vidro engordurado me comove as gargalhadas.
escrevi uma carta a um grande poeta. hoje ele me respondeu. hoje. sim, foi hoje.
fui ao correio pela manhã. grades impediram que eu entrasse. filhosdaputa.
preciso dos classificados de emprego para dar um jeito na vida. embora o disco azul da jonimitchel que baixei da internet me divirta bastante.

anti cipação
esse post provavelmente será apagado futuramente

postado por FELIPE DREHER às 12:21
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21.5.04

15 ou 20 :: noite a dentro

desculpem a desatualização. é ando sem vontade de computador nesses dias. os texto para esse espaço acabaram sendo escritos e folhas que se perderam pela casa, bilhetes de passagem de ônibus, flyers de propaganda que recebi pelas andadas no centro, contas de água, luz, telefone. como eles, os textos, estão de forma, meio inacabados, resolvi deixa-los decantando um pouco. talvez uma idéia melhor me arremate e os transforme em algo menos escatológico e mais propenso ao toque do sentimento comum.
peguei a máquina somente na quarta-feira, e foi para cadastrar outra lista gigante de livro que disponibilizo para venda. quem tiver interessado, pode dar uma olhada CLICANDO AQUI.
ontem fui a sãoléo tratar de assuntos referentes a continuidade dos meus estudos. pretendo fazer um aprofundamento no non-sense. pois tudo está tão absurdo que não há outra coisa que possa ser pauta para um estudo que soe mais adequado. numa passagem pelo d.a. (de comunicação) estavam sentados um cara que é político e estuda direito e já havia sido presidente do dce e lá deixou vários rombos nas contas e processos que nunca dão nada nas costas da reitoria que deve todo dia parar por cinco minutos de fazer qualquer coisa que esteja fazendo para se reunir numa sala com barris do melhor vinho do mundo e dar risadas da cara do elemento citado. esse pinta estava junto com um cabeludo que cuidava da técnica (não sei se ainda cuida) da rádio da universidade e tocava violão, enquanto o responsável pela rádio poste tocava raulseixas e racionaism.c.´s enlouquecidamente. nessa cena eu entro. olho para todos, menos para o dj da rádio poste que não consigo ver pois está numa sala separada. cumprimento. olho os murais e vejo bem grande "unisinos promove feira artistica dias x, y, z". ao ver aquilo pergunto para os caras da sala se eles sabe alguma coisa daquele evento já que eles são (ou eram) parte de corpos que movem aquele lugarzinho. o futuro político pilantra nem me olha. já o cabeludo solta sua pérola máxima:
- não posso apresentar minhas habilidades artísticas em público.
então tá.
sai fora o mais rápido possível, porque, ou aqueles dois iam acabar se comendo e envolvendo o dj da rádio nessa suruba hippie-política ou eu é quem ia ser contagiado pela idiotice daqueles dois supremos seres do diabo. nisso o pensamento de uma pixação tomou minha cabeça. uma pixação que deveria ser feita no chão daquele d.a. ou daquela universidade, ou no chão de uma igreja, ou praça pública ou até mesmo numa rua esquecida. algo que diga assim:
...... só os idiotas são felizes. e você? .........
merda. andei naquele trem lento que no passado escrevi ser veloz. não via hora de sair daquele lata e, quando sai, e, depois de emergir dos subterrâneos da passagem entre os trilhos e a rua, três moleques vestidos de punk faziam piquete na porta. nunca ví pessoas tão limpas vestidas de punk, nem punk com um linguajar tão burguês-surfista-tramanda. coisa tipo: meubruxo,temumtrocadoparaumpasse? - meu, vai se fudê. vai pedir pra mamãe, esteriótipo de cuzão.
e saí andando. atravessei a garibaldi que é o lugar mais baixo de todos os lugares baixos do centro. achei legal. fazia tempo que não cruzava por aqueles bares de lâmpadas apagadas pela camada de poeira que as encombre. as prostitutas nas portas dos hotéis e no parapeito das janelas, seus cafetões olhando o movimento da rua. pessoas que, quando passam pelas calçadas, fingem que não fazem parte daquilo e abraçam suas esposas e fixam os olhares no chão. velhos, carecas, negros e todo tipo de gente, nos botecos. pessoas jogando sinuca. vento frio na rua. as putas se encolhem e estreitam seus corpos junto ao batente das portas. um cara que aparentava ser um pouco mais velho que eu estava conversando com uma moça enquanto eu estava no começo da rua e quando eu ainda estava no começo, vi ele levá-la para dentro de uma casa com luz azul de papel celofane. olhei para dentro e vi uma cortina bloquear meus olhos e os dois abraçados desvinciliarem-se daquele pano (também azul) e perderem-se em prazeres ocultos. como aquela rua é azul. de dia, ela consegue ser deprimente. a noite, assume um certo charme (ou glamour) mascarado pela forte maquiagem e as fraca quantidade de roupas que mostram o corpo beijado pelas rajadas de vento gelado.
quando toquei a farrapos, um negro velho que andava a minha frente, virou o rosto e me olhou nos olhos. deve ter pensado que eu era seu anjo exterminador ou coisa assim. seu salvador ou assassino. continuei a andar. ele parou no canteiro que divide a pista dos que vão e dos que voltam e ascendeu um cigarro e continuou andando.
passei entre as bombas de um posto de gasolina. um frentista anão nem percebeu que eu passava lá. seus amigos tiravam sarro de sua condição. fiquei com pena daqueles que riam do homem baixo, porque pra eles se cabe muito bem a pixação proposta no meio desse texto. talvez até a pixação possa ser feita nos azuleijos que enfeitam a parede daquele posto de gasolina alguma noite dessas.
subi a santoantonio pelo lado direito da rua. "o lado direito é o lado dos escolhidos por deus" me ensinavam os beatos do institutoadventista.
subidas, subidas, subidas. subidas de alamedas. subidas de lombas ingrimes.
prédios postes cartazes salões de beleza transformadores de energia que acendem as luzes e espantam os medos-fantasmas da sala das pessoas que - diretamente - se liga a rua pelos fios elétricos emaranhados, tensos e sujos.
belas ruas a esquerda, um pouco acima da cristóvãocolombo. gonçalvesdacunha talvez. uma mulher com aparência andrógina anda na minha frente. fecha o corpo no casaco de lã. se assusta com a minha presença e aperta o passo. ando mais rápido e ela vai para o lado deixando que eu passe sem machucá-la. "pobre moça(0) tem medo do que não conhece.
olho pra cima. o contraste das velhas construções com o céu negro/vermelho me fascina. estrelas pulam dos telhados das casas. estou quase na independência e canto baixinho:
"percorro a noite a avenida independência
os travestis na esquina fazem-me sinais
penso na vida no sentida da existência
e meus sapatos pisam folhas de jornais
por que não chuto cada poste no caminho
não apedrejo a sinaleira que me para
nas madrugadas em que caminho sozinho
"
um policial escondido atrás de uma casinha que faz cópias de chaves sai das sombras que eu o veja e - talvez assim - pare de cantar feito um maluco noite a dentro. chego na esquina da independência e olho as cadeiras da vitrine da lojas de cadeiras caras. 500 reais, nem fudendo.
a música do vitorramil me volta com indagações. nunca vi travesti algum na avenida independência, mas folhas de jornais tem milhares para pisar em cima. e eu piso em cima delas. embaixo da marquise de uma lavanderia expressa dois mendigos fumam e conversam sobre a sopa distribuída nas noites geladas aos que vivem na rua. atravesso entre os carros que desrespeitam a luz vermelha acessa. pego uma pedra para jogar na sinaleira, como diz a música. guardo-a no bolso para mais tarde. dois passos adiante uma faixa grande esticada em frente ao restaurante nojento que a carolteresa e eu fomos quando éramos novos na cidade e não sabiamos nada e não tínhamos o guia laranja que compramos semana passada no aeroporto. na faixa estava escrito: pela quarta vez consecutiva, acabit, a melhor sopa da cidade.
será que era essa a sopa aos moradores de rua da qual os mendigos estavam falando?
talvez.
estou quase em casa. a conta de luz está vencendo e o banco já fechou. passo pelo prédio da orquestrasinfônica e desço por entre as árvores. estou quase na vascodagama. estou na porta de casa.
chego e saio.

postado por FELIPE DREHER às 11:46
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14.5.04

:::: a função social dos jornais ::::

caindo pelas tabelas, o mendigo se apoiou na cortina de ferro que escondia os produtos de uma loja de perfume. tonto pelo álcool, pelo frio e pela loucura; ele tenta respirar. o trânsito é composto por fantoches, tristeza, insetos e máquinas movidas a petróleo que andam sem parar para lugar algum. o mendigo olha para o céu num gesto de oração para o deus desesperança e passa a mão nos cabelos engruvinhados e chora quando vê seu reflexo no vidro de um carro que estaciona na sua frente. o frio entra pelos furos de sua roupa em farrapos que pertenceu a alguém que - antigamente - as usava para se aquecer, ou sair para jantar, ou ir a um trabalho que o mendigo em questão jamais terá. ele se aproxima do reflexo e não reconhece a imagem refletida, mas sabe porque aquele rosto chora. ele volta e se apóia na cortina e deixa o corpo cair escorado naquela parede. olha pro céu e tenta rezar novamente. "é impossível pensar em qualquer coisa com esse frio". ele abre o casaco e o tira. assim como tira o resto de suas famigeradas roupas. deita na calçada e deixa seu corpo morrer ao toque gelado do vento na esperança que sua atitude martírica vire a notícia bem pequena no fundo de um jornal que será lançado ao fogo numa roda de outras pessoas que estão na mesma condição que ele ou então aqueça e cubra algum corpo na próxima noite gelada de uma metrópole ao sul.

postado por FELIPE DREHER às 16:00
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13.5.04

uma voz robótica ao telefone. agora a pouco me fez lembrar que pretendo -
assitir:
- elefante
- os narradores de javé
- diários de motocicleta (se não der tudo bem)

seguir:
o seguinte itinerário
acordar, viver, escrever, dormir e sonhar.

-------------xxxxxxxxxxxx---------------
escreveria aqui algo sobre o filme que a carolteresa e eu fomos assistir ontem. mas não farei isso. quem quiser saber sobre o filme clique aqui. não sei se podia fazer esse link, mas o que se encontra lá é muito superior a qualquer coisa que eu poderia fazer.
mas conto que após o filme andamos até a livraria que tem no supermercado country ao lado do cinema. a carolteresa queria um livro da personagem que era representada (e muito bem representada pela gwinethpaltro) na película. fui até o mocinho da divisão de livros infantis - pois nas outras sessões não havia ninguém para ajudar - e perguntamos para ele se tinha livro de tal autora. ele digitou o nome dela no pc e uma lista de livros apareceu. putz, legal - pensei - deve ter vários. e o vendedor foi clicando sobre todos os títulos da lista e não havia nenhum disponível, minto por antecipação, tinham três. a carolteresa foi com ele para pegá-los na prateleira e eu fui ver os cds desorganizados das prateleiras, quando vejo a carol voltar sem nada.
- o que foi? eu perguntei. não tinha nenhum?
- não.
- ...
- e o pior é que o vendedor disse que uma outra moça já tinha vindo antes pedir tal livro.
(cara, isso de pessoas que vão pedir o tal do livro - que é adulto - ao vendedor de livros infantis! imaginem a quantidade de pedido que o livro não teve na sessão que lhe destinam)

- eles não estão ligados no movimento, comentou a carolteresa.
- eles é que estão.

lembrei que, graças a essa livraria, desisti de comprar livros novos em livrarias. livros novos, só edição portuguesa.

postado por FELIPE DREHER às 11:28
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um junkie mail de todos dias atrás

são tipo assaltantes de banco. nefastos. só que de outros bancos que não os convencionais que se espalham pelas praças e vias movimentadas da cidades. esses caras roubam banco de dados. uma trama que começou como alavancador de fundos para suruba nas moitas quando monroesalazar convidou darylorangebower para um bacanal no matinho perto da casa de raimundogranjer. vendo a movimentação estranha e os ruídos, esse foi até as moitas para dar uma olhada. encontrou o casal em atitude suspeita. como sua índole incluía o não-preconceito as novas tendências e a putaria era um ato praticável e até mesmo louvável naquelas épocas, resolveu ligar para nádiaclockwood para que ela viesse participar dessa "festa na floresta" como cantaria nosso bardo português RobertoLeal. Enquanto nádiaclockwood não chegava, raimundogranjer pegou alguns galhos e um pouco de barro e um pouco de folhas que estavam caídas no solo em estado de semi-putrefação e aproximou-se de monroesalazar e darylorangebower já se despindo. quando os dois viram sua aproximação, primeiramente hesitaram, depois foram tomados pela excitação, pois como foi falado acima, a putaria era uma paixão nacional. monroe e daryl viraram de costas para raimundo que foi jogando o barro nas costas dos dois e açoitá-los com os galhos jogando folhas para cima. depois de algum tempo, darylorangebower foi açoitar os dois rapazes. que gritavam e se beijavam e se esfregavam barro um no outro. não demorou muito, nádiaclockwood chegou ao mato onde rolava a suruba sádica. Já foi se pelando e chegou lascando beijo até nas árvores. junto consigo, nádiaclockwood trouxe um abajur (pois a farra seria longa), seu cachorrinho clarodigital que já foi se aprumando com um abraço aconchegante a alguma árvore ou perna que estivesse dando sopa por ali, & uma câmera de vídeo com conexão direta na web.
o barulho foi absurdo. quando todo mundo do bairro voltava para casa do trabalho dava uma parada no mato, uma olhada profunda e hesitava em entrar ou não, mas como a maioria das pessoas precisava preparar o jantar ou assistir a novela, ninguém ficou. ninguém menos eugeneblackburn que era um safado filho da mãe e devia um furtuna pro dono da quitanda da redondeza (que se encontrava na suruba e atendia pelo nome de clarodigital). eugeneblackburn apenas ficou parado, exercitava seu lado vouyer. um momento ele desapareceu e voltou com uma câmera fotográfica, um disco do wando e um pacote de pipoca (em tupi: pi = milho / poca = que estoura). sr.blackburn babava muito sobre as pipocas, volta e meia se via um flash ser disparado e via-se ele rebolar ao som do wando enquanto as coisas mais bizarras pegavam ali na sua frente.
quando a festa acabou, eugeneblackburn cumprimentou monroesalazar, darylorangebower,
raimundogranjer, nádiaclockwood. clarodigital sentiu medo e raiva antecipando o que se aproximava. tentou morder blackburn, mas esse não deixou e saiu correndo. um dia mais tarde, uma foto da suruba estava colada no poste na frente da quitanda de clarodigital. desse dia em diante, eugeneblackburn não devia mais nada para quatro pessoas e um cão do bairro em que morava e, não só isso, como também tinha certas regalias, que provam que a chantagem por e-mail distribuída pela internet funciona.

postado por FELIPE DREHER às 11:10
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12.5.04

:::: chorando pêlo & leite sobre os bicos fogão
.........(ou) seis fantasmas de gázz .......

Chove. Já faz dois dias que estou trancado nesse quarto de paredes mofadas cheio de livros velhos espalhados pelo chão, junto com as cartelas prateadas de comprimidos azuis e garrafas verdes de vinho barato que são meus únicos amigos e alimentos por assim dizer. Dou mais um gole. As imagens de um passado recente voltam em fragmentos desordenados e tudo o que eu mais queria esquecer retorna como um filme para diante dos meus olhos vermelhos e embaçados. As lembranças machucam. Tento me distrair, tento uma fuga fácil, abro um livro, mas não consigo fixar-me em nada que não sejam os pontos dolorosos da memória. Encolho-me no canto e ponho a cabeça entre os joelhos e deixo os fantasmas me perseguirem até cansarem.

Falo pra eles do meu cansaço. digo que a poesia morreu. que eles precisam me deixar em paz, ou não vêem que o sangue dela ainda está na minha camisa. seca e exala o perfume de ferrugem. seu último suspiro, guardo na memória junto com seu rosto belo agonizante do prazer no momento derradeiro.

depois dela não existe mais nada. a poesia foi morta a facadas e eu sou o seu assassino e não me sinto culpado por isso, mas eles me acusam. e trazem até minha cabeça essa culpa que antes não sentia. e agora fico mais atormentado.

Conto do sonho que tive a umas três noites atrás, uma menina-flor-hepática deitada ao meu lado que virava uma antena de alumínio. uma árvore que tinha como frutos telefones celulares e suas folhas eram de mármore. um trem-bala de vagões feitos de cães e os passageiros eternos eram pulgas. um cigarro que encarnava deus e distribuia "provém" numa propaganda de cores aprazíveis.

Os fantasmas riem em círculo e intensificam a zombaria.

Levanto e dou golpes no ar para que eles se afastem. Corro pelo quarto tropeçando nos livros do chão. Grito para não mais ouvir seus ruídos, mas isso de nada adianta. Sento novamente e choro; e dou goles gigantescos na garrafa de vinho. Ela acaba e abro outra quebrando o gargalo. Quando me acalmo, eles sentam ao meu lado. Os fantasmas da memória voltam.

quebrei o silêncio deixando meu corpo cair no chão. convulsões. Todos riram. sujei a camiseta que mais gosto e que tá escrito "não sei fazer amor" com o sangue da poesia que eu mesmo matei. Eles me chamam de fracasso.

busco no vazio dessas duas últimas noites um motivo que me faça acreditar numa ausência de medo para a noite do dia seguinte. quando a culpa passa, penso nisso:
adultério me dá ânsia de vômito.
futilidade, dor de barriga.
ignorância me dá azia.
preconceito, náusea.
tudo está entranhado em minhas vísceras. menos a culpa que está agora na minha alma.

O vinho faz com que eu sinta meu corpo arder. calor. veias dilatadas. linhas férreas congestionadas.

corro atrás e alcanço os calcanhares de um dos fantasmas. O mais belo e aterrador de todos. pretendo alcançar suas tripas e arrancá-las. "quando minhas mãos laçarem sua força sobre o pescoço do mundo, voltarei revigorado desse sereno assassinato." Mas ele se desvencilha e chacota mais uma vez de mim na companhia dos outros cinco.

bombardeei a todos ao meu redor com uma rajada de palavras desconexas e idéias absurdas enquanto caminhava e sentia tudo muito rápido e alto durante toda a madrugada depois da virada de garrafas de vidro e copos plásticos de vinho barato/seco que sempre me convencem a uma última tentativa de recuperar a lucidez pálida perdida em notas dissonantes como um parafuso rasgando a carne e o osso da cabeça. Se eu pudesse acalmar-me um pouquinho nas noites chuvosas de vento nordeste que batem as janelas e movem as folhas e bagunçam o resto do meu cabelo ralo & se pudesse também seduzir aquele resto de fantasma-anjo-fêmea que vomita nas sarjetas enquanto disfarça o sofrimento de corrente tórrida e emoções fugazes que deixam minha alma distante na angústia das palavras com sentido e das frases feitas nas semanas passadas que já estão todas mofadas e saborosas; e se ele acreditasse em minhas palavras e viesse até meus braços.

Bebo vinho e ofereço um gole. Ofereço também uma conversa amena que eles ouvem gargalhando pela intensidade da minha vida infeliz.

"Ah, meus inimigos, não sinto saudade nenhuma dos verões amarelos e com gosto de limão, cerveja, cachaça e amizades baratas embaladas por músicas que não permaneciam na cabeça por mais de um minuto e da pele pálida que não sentia os beijos do sol escaldante e dos olhos que não viam & nem eram vistos pelos vizinhos que nos dias de chuva e alagamento se reuniam para jogar buraco e nas noites mornas me espiavam vagando por ruas sem luz e de calçamento falhado onde /por entre os paralelepípedos/ cresciam satisfeitas gramas suculentas alimentadas pelo inverno glacial e assassinadas pelos habitantes transeuntes. não tenho saudade do mar e nem da luz da lua. não tenho saudade dos sorvetes de creme e nata da sorveteria da esquina. não tenho saudades das bombinhas que comprava na banca perto da avenida e serviam para acordar as pessoas que tem mais o que fazer do que ficarem zanzando por onde ninguém mais zanza. tenho saudade sim, do bolo de cenoura da minha avó. das brincadeiras com os cachorros vagabundos que encontrava na beira da praia e levava pra passear comigo por quilômetros e mais quilômetros pra ver quem cansava primeiro. não tenho saudade da minha fase de exclusão de mim mesmo.¿

Só que os fantasmas nos conhecem. Sabem quando estamos mentindo.

Ou então a história do dia em que eu comprei a arma que criou todos esses fantasmas e falei para o cara da loja de armas que queria uma que tivesse a maior quantidade de balas possíveis e pudesse descarregá-las velozmente e o do sorriso que ele deu quando eu falei isso, um sorriso que dava para ver todos os dentes de sua boca preta.

Os fantasmas se comoveram, pois em mim reconheceram seu pai ¿ ou sua mãe. E voltaram seus abraços para mim e eu tentei matá-los, mas eles não podiam morrer mais um vez.

Caralho. Preciso dormir. a máquina da memória não aceita pensamentos mórbidos. a máquina rejeita pensamentos subversivos. Mas pensamentos mórbidos me acompanham. já faz um tempo desde que a primeira poesia foi assassinada. não sei por que. acho que não existe um por que. tanto faz. Tipo ontem, a noite a terra quase foi atingida por um meteoro gigante. ele passou próximo a atmosfera. Em alguns estados pode se ver um clarão riscar o céu, acompanhado de um barulho apavorante que se assemelha ao riscar o quadro negro da sua sala de aula na infância com um parafuso enferrujado. Dessa forma, tem vezes que meus próprios pensamentos me assustam. me deixam perplexo quando tomam forma & colocam em perigo a sanidade de outras pessoas. isso é egocentrismo ao contrário.


postado por FELIPE DREHER às 09:12
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10.5.04

eu estrago festivais ,,,,,,,,,,,,,, e daí?
(ou) Marketing

vá a um show da banda estragadora de festivais.
sérgio rrocha experiência.
eles serão tua ruína.

não perca a oportunidade de ouvir seu mais novo hit não-radiofônico, a música: (asfixia) e quando ela tocar, ponha um saco plástico na cara até ficar sem ar; ignore a gravidade e sinta-se no espaço.


-- texto tirado de um comentário feito por minha pessoa num post de um diário de uma pessoa que está na lista de links aí ao lado --

cara, tenho um monte de referências acadêmicas para citar e justificar a atitude que prevaleceu no show da sérgiorrochaexperiência, mas não vou fazê-las unicamente porque acredito que a arte não precisa justificar-se. simplesmente ser. sem iconografias, sem limites, sem padrões morais. foi assim que aconteceu quando os comunistas (ou capitalistas) franceses tentaram levar aragon para trás das grades por uma de suas poesias. & não é porque um bando de caipiras metaleiros não consegue compreender o que faço no palco da minha vida, que ela precise de algum tipo de aprovação, carimbo ou coisa do tipo.
tenho orgulho, e não vergonha, de ser diferente de pessoas como as que assistiram a "barbárie libertadora" que ocorreu em trêscoroas quinta-feira 6 de maio de 2004 e se essas pessoas ficaram assustadas, escandalizadas ou doentes, o problema é todo na cabeça delas!
o padremarcelo estava simplesmente imóvel no palco com um microfone apontado para sua boca. para sua boca, veja bem. e que que isso tem de mais, ele não é um padre da igreja carismática que canta? e a pirotecnia tão condenada pelo senhor prefeito e sua fiel escudeira secretária de cultura foi usada a exaustão no sábado a tarde quando os instituídos no poder tiveram acesso aos meios que - sem querer - eles mesmo colocaram em nossas mãos dias antes. garanto que menos cachorro ficou assustado com o barulho quando foi a gente que tava tocando bombinha do que quando os cargos de confiança soltavam rojões que poderiam muito bem arrancar o braço de alguém ou estourar os tímpanos de algum animalzinho de estimação de uma criança órfã.
o que me deixa mais puto -- fora toda essas barbaridades e trejeitos de censura de período militar -- foi a interrupção da banda dos meus amigos (pega e chora) na qual eu apenas toco contra-baixo / pelo simples fato de "eu" tocar contra-baixo e ter semeado um pouco de caos reflexivo que abordava assuntos como homossexualismo, diferença racial e religiosa e preconceito, minutos antes.
e, mais foda ainda, é que foram encher os ouvidos dos meus familiares, tanto que até meu pai começou a me tratar de um jeito meio estranho hoje. isso tudo foi feito por gente que nem estava lá e muito menos deixou seus filhos assistirem a apresentação das bandas por pura visão limitada.
claro que acredito que:
a moral precisa ser corrompida urgentemente, pois a ética pede passagem. a arte não tem uma forma, não tem um limite e seus vetores não devem ir ao banco público dos réus. e mais, se eles quisessem apenas alguém que repetisse os hits mercadológicos, liguem um rádio, toquem um cd ou façam um desfile de modelos anoréxicas que aparecem nas páginas das revistas como exemplos por terem como livro preferido e único lido durante toda sua "existência" opequenopríncipe e mesmo assim não sabem o nome de seu autor; ou então dizem ter como mestre deus(!) ou jesuscristo sendo que esse provavelmente foi crucificado por esse tipo de pessoa que reprimiu tudo que não se parece com o que dá na novela.
mas ...
não percam a oportunidade de contextarem, tudo, e saibam que mesmo a contestação precisa de crítica - isso leva a evolução.

postado por FELIPE DREHER às 19:16
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6.5.04

---- uau!aprimeirareferênciaapotroalérgiconumtexto!uau -----
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, ou: albertobins

madrugada quente pra caralho. suando muito. o lençol molhado e não dá mais pra dormir. levanta. tropeça num monte de porcarias espalhadas pelo chão do quarto. vai até a cozinha e abre a geladeira. pega a garrafa de sprite na última prateleira da porta - dá um golaço. faz careta (porque na garrafa de sprite não tem sprite - tem pinga barata tirada do barril de cachaça que fica suspensa sobre o balcão do nossobar (cel. vicente) - antes de pensar e qualquer coisa, dá mais um gole grande. "calor de merda", pensa. mas não quer pensar e enfia a cabeça no congelador por algum tempo até os nervos da cara começarem a puxar, dilatar e voltar a encolher. outro gole e fecha a garrafa e coloca na prateleira e fecha a geladeira. "merda de inverno", pensa. "ha. calor no inverno é foda". caminha pela sala. pega uma revista e a folheia e a guarda de novo. liga a televisão e a desliga. "merda de calor". vai ao banheiro e mija. lava o rosto. as baratas correm da água e se escondem no ralo. "merda de calor". começa a ouvir uma gritaria que vem da rua. "merda de mendigo, de novo em crise" já começa a falar sozinho. volta a cozinha e pega a garrafa de sprite e bebe e vai até a sala e senta no sofá e ouve novos gritos vindos da rua e só pensa em "merdas" e "filho da puta desgraçado" e sente raiva de tudo, dessa maldita cidade, dos ratos que comem o veneno que ele esconde e não morrem ou quando morrem, aparecem mortos dentro da geladeira com metade de uma laranja roída. os gritos aumentam. ele vai até a janela e a abre. um caos na rua. luzes e ambulância e carros de bombeiro. "que merda de vizinhança" pensa e depois grita "vão toma no cu seus bostas, não podem fazer silêncio!". então ele se concentra. pensa que ele é o deus todo poderoso e não tem porque ficar agüentando toda aquela porra. e olha pra baixo. e fecha as mãos. e a energia se dissipa e ele se concentra mais e manda um tufão pra aquietar aqueles gritos e refrescar a cidade. o vento vem: forte, sujo, destruidor. ele sente sua força derrubando as placas de trânsito e virando as latas de lixo. e sacos plásticos voam e os carros viram. uma criança passa voando pela sua janela. "alguém tem de morrer, não é essa a lógica", reflete. depois o porco nitroglicerinado do show do kiss passa voando e se esborracha contra o prédio da frente que começa a rachar. ele tapa os ouvidos com as mãos. e ordena que o vento páre. "ufa". silêncio. o calor passou. caminha até a poltrona e senta. quando está quase dormindo o caos recomeça. choro. sirenes. motores. o calor volta pelo fogo que começa nas casas do bairro e as pessoas reclamam que perderam tudo e choram sobre a montanha de entulho que contém seus objetos destruídos.

postado por FELIPE DREHER às 11:15
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nasceu em cambridge, inglaterra, em 1952. embora hoje seja extremamente culto, só aprendeu a falar com quatro anos e foi considerado retardado aos cinco. mesmo assim estudou na brentwoodschool, em essex, e no st.john´scollege, em cambridge.
trabalhou como porteiro de hospital, limpador de galinheiros, redator-produtor de rádio e editor-roteirista da série de tv doctorwho. escreveu, quatro livros publicados no brasil na década de oitenta pela brasiliense e mais outros dois livros que só se encontram em inglês. criou com grahamchapman, durante um ano e meio, os episódios para a tv do grupo montyphyton. após romper com chapman, foi ser guarda-costas de uma família árabe.

////////////// quem é esse sujeito?

postado por FELIPE DREHER às 10:51
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5.5.04

recorta e cola
recorta e cola
recorta e cola
recorta e cola
recorta e cola
recorta e cola
recorta e cola

o ritmo da nova poesia. mais moderna que o termo metrossexual. mais fina que o fio das facas guinsu. não espere crítica a sociedade pois dela a poesia faz parte e não contexta mais os meios culturais para revelar-se arte. disse teixeiracoelho citando godard num debate sobre antoninartaud: se cultura é a regra, arte é a excessão. então a arte é lavagem para porcos. o que sobre. já que todos estão interessados na manutenção e no incentivo a cultura. eu. eu quero mais é que a cultura se foda. porque se formos analisá-la encontraremos uma cultura maxista, baseada no poder e na força, sempre subjugada ao mau gosto e regulada por algo que nada tem a ver com ela. dessa cultura brotam idéias de perpetuação de celebridades e moldes para executar obras dentro de determinado estilo - sendo que cada pessoa deveria ter seu próprio estilo.
eu quero ser derrubado. ser desmascarado e escarneado como uma fraude. mas algum dia quero, pelo menos como uma pessoa não convidada no banquete, gritar aos membro da elite cultural que eles não passam de meros mercadores de escravo e marujos de uma caravela que paga caro por especiarias que nada valem.
o roubo é uma atitude louvável. não roubo de objetos, porque objetos não são nada quando não se tem uma utilidade para eles. digo roubo de fragmentos do passado para compor uma nova corrente de pensamento. uma sacação a partir de algo para criar algo novo. um novo cinema novo, um novo teatro, novas artes, novas mídias.
rimbaud falou a dois (quase três) séculos "é preciso sermos modernos".
mas continuamos tapando nossos ouvidos acreditando que só a beleza tem valor ou então só o que faz parte da moral deve ser respeitado.
eu quero subir ao pedestal e de lá ser derrubado. se ninguém me derrubar, eu mesmo o faço.

postado por FELIPE DREHER às 12:28
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4.5.04

bosta. errei cinco - e acho que com isso - as possibilidades de usufruir das mamatas de um cargo público se distanciam por algum tempo. fico imaginando como seria ficar o dia todo numa repartição de alguma estatal ou então como eu poderia ser grosseiro e blasé atendendo as pessoas. mas agora - o plano foi prorrogado.
também ontem estava conversando com a carolteresa sobre a finalidade desse blog. o desmemória é tão poético e bonito que às vezes eu sinto que o numerozero deveria ser apenas um link para lá. pelo menos, me conformo em ser menos pop que a maioria e me alegro por ouvir a carolteresa dizer que o que escrevo aqui é moderno.
mas não apresento nos textos uma objetividade digna ou uma fragmentação decente no que diz respeito a modernidade, mas -- deixe eu esclarecer uma coisa -- tudo que aqui é abordado trata sempre de assuntos relacionados com meus dias, fatos que neles ocorrem e essas coisas que caracterizam o blog como um diário. só que pouquíssima gente tem vontade, saúde ou insanidade suficiente de ler os tijolos até o final. os assuntos são absurdos porque são absurdos. são absurdos porque minha visão do mundo é assim. então, os textos aqui apresentados são verdadeiros - ou alguma parcela deles é. o resto é invenção e liberdade de criação ou até mesmo de experimentação narrativa sobre os acontecimentos. eles refletem o caráter dispensável da humanidade e centram-se na idéia de quão melhor o universo seria se não existisse nada além de vazio: microfonia ou silêncio. e algumas estrelas dançantes para formarem contraste (porque contraste é legal).
claro que não sinto mais a tristeza que sentia antigamente ao constatar esse tipo de coisa. agora reconheço que elas fazem parte disso tudo ou então são responsáveis por moverem o mundo.
acredito que, de todas as palavras que já gravei nesse blog, essas são as mais mentirosas. tanto que esse texto chega a soar de forma confidencial - como se os leitores tivessem examinando minhas vísceras enquanto eu escancaro as peles do meu tórax e distribuo lunetas aos presentes.
se eu fosse um picasso, diria que estou numa fase vermelha. escrevo com sangue e pinto quadros com vinho e paixão.
ontem mesmo fiz um retrato do thomyorke no momento que veio a idéia para o clipe de nosurprises e a umas duas semanas desenhei um andróide - qualquer dia, caros leitores, convido todos para matarmos um porco e fazermos uma bela ceia - e nos dois quadros predomina pigmentos vermelhos.
na música também constato essa intensidade. sérgio rocha experiência é uma banda de tonalidades rubras, tanto nas letras quanto nas músicas e também nas melodias. assim como as palavras que transponho para esse diário. assim como todas as tentativas de expressão que brotam de mim.
talvez seja a vontade da vinda de um "fogo salvador". claro. só pode ser isso. as chamas e o calor que aquecerem os invernos e mantém nossos corpos tostadinhos como nos bons momentos em que vocês passavam as tardes deitados ao sol.
agora;
estou com soluço.e minha garganta coça. e um mosquito pica meu pé.
acho que deixo a fase vermelha seguir seu rumo e, vamos a algumas verdades:

__________________________tudo é ;;;;;;;

postado por FELIPE DREHER às 22:29
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3.5.04

::::::::: alguém foi engambelado =
//ou\\
sempre alguém quer tirar vantagem, tipo hoje, nas filas que enfrentei, teve uma mulher que inventou uma história absurdamente bizarra só para ter o prazer de me passar a perna

....................xxxxxxxxx......................
mais um exemplo disso:

um sujeito quer vender um dvd do trigreeodragão no mercadolivre por R$20 (o que, só por isso, já seria um aproveitamento do elemento, mas cada um faz o preço que lhe convém).
esse diálogo foi tirado de lá. é uma espécie de "negociação" entre as partes.

o candidato a comprador diz:
- É original? Quantas unidades vc tem?
o vendedor responde:
- É original e tenho 2 unidades lacradas......
- Hum.. vc é usuário novo, não tem avaliações ainda, aí fica um pouco difícil a negociação. Vc me faria um desconto pra gente fechar? Aí eu dou o lance.
- O mínimo que vendo é R$ 18,00 e a garantia é que o produto é lacrado e original......
- Vamos fazer um negócio? Estou em Brasília. Por carta registrada este envio deve sair por uns 3 reais. A gente fecha em 20 e vc me envia por correio em carta registrada? Aí a gente já fecha logo e eu dou o lance. Abraços!
- Vou verificar e te retorno, mas de qualquer maneira você vai querer 1 ou 2 fitas?
- Ué, é DVD ou é fita? Está classificado como DVD. Quero uma unidade.
- Desculpe, é DVD, é que escrevi rápido e acabei errando...... então, vou aguardar algum lance em SP mesmo até como já te disse anteriormente de no mínimo R$ 18,00..... agradeço seu interesse......
- Eu estou interessada em comprar. Quer fechar em 21 com o frete? Talvez fique melhor assim, pq aí vc não sai dos seus R$18,00. Se topar, dou o lance, ok? Mas vc garante mesmo ser original, né? Um abraço.
- Como é o processo? Como será efetuado o pagamento?
- Eu deposito o dinheiro na sua conta e vc me envia o DVD. Que bancos vc tem? Depois a gente qualifica um ao outro. Se uma das partes não cumprir o acordo, ganha qualificação negativa da outra. Se der tudo direitinho, a gente elogia e diz que foi td bem e a pessoa é honesta, avaliando assim positivamente. Cada avaliação negativa que alguém tem faz com que ela perca diversas vendas. Vc tem aí o DVd em mão e pode me mandar prontamente? Posso dar o lance?
- Pode dar o lance sim, sõ não posso te enviar hoje, pois preciso passar os serviços do dia para os boys pela manhã, pode ser assim: você deposita na 2ª feira e eu envio na 2ª feira também, ok?
- Tá ok , então. Olha, vou te dar uma dica. Coloque aqui na venda que vc tem duas unidades do DVD pq se eu der o lance e só tiver uma unidade constando do anuncio, o seu anuncio sai do ar, entendeu?
- Ok, e como fazemos para enviar as informações de cada um para depósito.....?
- Eu mandei um e-mail para vc e vc não me respondeu.
- Se fudeu!!!!!!

lembrando:
eu visto o uniforme da minha empresa, mas não se esqueça que por baixo dele, estou pelado.

postado por FELIPE DREHER às 20:43
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na embalagem da tinta acryliccolors dizia non-toxic e mais abaixo, 59 ml (1,99 Fl. Oz.). procurei no dicionário e non-toxic significa - NÃO TÓXICO - da mesma forma que 59 ml é a quantidade de tinta da bisnaga e 1,99 Fl. Oz. a quantidade de pigmentos que compõem a coloração, preto no caso.
já que não era tóxico, comi o conteúdo inteiro do tubinho. fui me olhar no espelho e minha boca tava preta. fiquei rindo um tempo dos meus dentes e da minha língua preta. meu gato veio ver o que eu estava fazendo e se assustou, saiu correndo e se escondeu atrás de uma caixa de jornais velhos. fui na sala e botei um som. sentei no sofá sorrindo com a boca preta para assustar minha mãe quando ela chegasse em casa.
foi aí que deu a merda. apaguei.
não sei quanto tempo eu fiquei desligado, mas quando acordei minha boca continuava preta, minha mãe tava caída perto da porta, meu gato tava pintado de vermelho e na tela da televisão (ligada, mas sem sintonia) estava escrito:

está tudo tão estranho e lindo / chega a ser obscura sua alegria / flores, nuvens, fotografias, sorrisos / me encanta a melancolia / somos dois lados de sombra que jamais se encontrarão / um passeia entre ratos e o outro entre latas de lixo / baratas corteja excitadas nosso desfile tranqüilo

achei o portal para o filme do áquila que passava na sessãodatarde

postado por FELIPE DREHER às 19:19
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2.5.04

a arte e a morte chegaram pelo correio;
as flores do mal murcham e jazem na água;
aurora revela as faces ocultas = en quanto
meu coração se desnuda ao som de rimbaud.

________ esses são os meus novos brinquedos:


- cuidado que o píso é fôfo.
- ãh!?
- nossa que estranho.
concluíndo meio hai-kai: piso fofo é engraçado


fechamos a primeiro reconstrução da SérgioRochaExperiência com efeito engayzador no vocal, apresentei uma música de guitarra que poderá ser incorporada ao repertório se a banda durar mais do que essa semana. quinta-feira tem show. será em trêscoroas, numa lona que a prefeitura monta ao lado do centro de cultura sempre que rola a farofest. o ingresso é um litro de leite. o douglasdickel fez um comentário sobre a apresentação da construção, desconstrução e reconstrução das letras em seu blog. criou até um exemplo que, acredito, poderá ser incorporado futuramente (com os devidos créditos é claro e algumas modificações - conquanto que seu resultado - acredito - permaneça semelhante, embora com a seguinte estrutura:

:: typesetter __

pareceu que a doença
o consumia em-tornados
e o sofrimento vinha em ondas
e os castigos em-tornados

sofrer pelo desejo
doer pra refletir
prender-te no meu quarto
por períodos gozados

eu desejo ser a planta
eu desejo ser a porta
a!).

caralho. mais um parenteses. a farofest é em homenagem ao aniversário da cidade. aí rola um monte de coisinhas e muita baixaria. entrando nesse viés - do qual a SérgioRochaExperiência não se exclue - rola uma gincana onde quem tiver mais dente cariado ganha mais pontos. ANIMAL.

postado por FELIPE DREHER às 18:28
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