numerozero


7.10.08
hoje me vi no fundo do poço. olhei para cima e vi algo caindo em minha cabeça. não era água.

19.9.08
ratos bonzinhos / quando morrem nas cidades / ganham asas e vão pro céu = viram pombos
ratos malvados / quando morrem nos esgotos / ganham asas e vão pra terra = viram baratas

10.9.08
as 8h (de brasília) eles devem ter cantado o hino, colocado óculos de segurança e abaixado o pino do interruptor. o acelerador de partículas está operando? deve ter perguntado algum técnico, físico ou estagiário. imaginei que aqui do brazil ouviria algo, sentiria algo, veria algo. nada. talvez os protóns, elétrons, fernions não se chocaram com tamanha violência a ponto de criar-se um pequeno buraco negro no velho continente. ALICE não deu o resultado catastrófico e belo. imagino a cara dos primeiros ministros, presidentes, assessores, puxa-sacos que viajaram até a fronteira e se posicionaram ao redor do LHC esperando por uma grande explosão que não ouviu-se quando o botão foi acionado. ao cruzarem batentes de portas e deixarem o grande vão subterrâneo podem até ter trocado meia duzia de palavras e alguns cartões. "uma pena", podem ter dito alguns. "que belo exemplo de tecnologia", outros. "essa bosta custou bilhões e não explodiu", um americano desavisado.

é um grande privilégio acompanhar o fim dos tempos. não? tanta gente mais importante que a gente não terá esse privilégio. caras como spartacus, gengis kahn, oliver kahn, judas, noe, lennon e mccartney e por aí vai. a terra comeu seus olhos. lembro da senhorinha nas catacumbas da via ápia faz alguns meses dizendo dust to dust e john fante jogando beisebol. sinto privilégio de ver isso e saudade de sentir muita coisa.